2 Anos trazendo a lógica!!

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Resultado do sorteio – Opúsculo!

Pois então, gente…

Depois de muita ansiedade e espera e expectativa, eis os felizes que levaram Opúsculo pra casa!

Ou as felizes, porque foram duas garotas :)

O sorteio, como dito, foi feito pelo SorteiosPT e contamos manualmente os comentários – 70 válidos. Os números sorteados foram 26 e 34, e os comentários correspondentes a esse números foram os da Diana Krugger Martins e da Daniela Brunner!

Meninas, entraremos em contato com vocês pelo e-mail passado por vocês e aguardamos um retorno até sábado, 25/9. Se não houver resposta até lá, sortearemos outra pessoa.

Parabéns às duas!

Presente pra vocês! – Opúsculo

Pois sim, cordeiros queridos, o Twilight Haters BR presenteará vocês com dois exemplares de Opúsculo (comentado pela Nani nesse post).

Por quê?

De fato, por nada. Não é uma ocasião especial pro blog (que completa 2 anos em janeiro) nem nada do tipo, é só uma forma de agradecer a vocês, leitores, que ao longo desses quase-mas-nem-tanto 2 anos nos ajudaram, de forma essencial, a fazer o blog acontecer, crescer, aparecer na MTV, etc.

Nós nunca fizemos nada pelos leitores e sentimos falta de alguma coisa, de certa forma, interativa (ainda que os comentários sejam interativos… ah, vocês entenderam, né?). E qual seria o melhor jeito de começar se não fosse justamente presenteando nossos queridos, hein? Por isso, sortearemos dois exemplares da paródia Opúsculo pra vocês – um pra cada leitor, ninguém vai levar dois pra casa!

“Ah, mas por que sorteio? Prefiro promoção com frases, textos ou desenhos!”

Primeiro porque sorteio é mais justo com todos, já que as chances de ganhar são iguais. Muita gente não participa de promoções porque fica insegura e com a certeza de que não vai conseguir, e a gente não quer isso logo de cara. Também porque queremos conhecer o terreno primeiro, ver o retorno de vocês antes de assumir algo que ocupe tempo – vocês sabem que todos nós temos dias bem corridos.

As regras gerais são bem simples:

- Deixe um comentário, nesse post, dizendo “Sou hater de orgulho e quero ganhar Opúsculo no blog Twilight Haters Brasil!”, com seu nome e endereço de e-mail válido. Precisamos do endereço de e-mail porque é assim que vamos contatá-los. Pode ser preenchendo o espaço “e-mail” ou pode ser no corpo do comentário, fica a critério de cada um. Mas precisa ser válido!

- Só vale uma inscrição por pessoa. Acho desnecessário explicar.

- Infelizmente, pra concorrer, tem que ter endereço de entrega no Brasil. Pedimos desculpas aos leitores portugueses (e de outras partes do mundo, se temos algum), mas o problema é todo com o frete. Sabemos que, por ser impresso, é possível ser enviado de forma mais barata… porém essas formas mais baratas não dão opção de rastreio e queremos evitar ao máximo que o produto se perca no caminho. Espero que vocês entendam que a gente não tem retorno financeiro NENHUM com o blog e tanto livros como envio saíram do nosso bolso, e só por isso é que precisamos restringir os participantes aos que têm endereço de entrega no Brasil.

- A equipe Twilight Haters BR não poderá participar do sorteio. Agora é a vez dos leitores, né? :)

Vocês podem se inscrever até sábado, 18/9, e o resultado sai aqui no blog na segunda-feira, 20/9.

O sorteio será feito pelo SorteiosPT, por conta de imprevistinhos com outras opções de sites de sorteios. E pedimos, por favor, o mínimo de flood possível nesse post, só pra facilitar pra nós quando formos contabilizar os comentários e sortear os vencedores.

Lembrando que só serão considerados válidos os comentários com a frase, já que ela é a “chave” pra sabermos quem participa ou não!

Boa sorte a todos! =)

Equipe Twilight Haters BR

Stephen King x Twilight Fãs

http://images.eonline.com/eol_images/Entire_Site/20090204/425.twilight.meyer.king.020409.jpg

O grande escritor de livros fictícios, Stephen King, concedeu uma entrevista ao USA Weekend onde nela, o escritor fala da carreira das duas escritorias do momento, J.K. Rowling e Stephenie Meyer (escritora da saga Crepúsculo), que atualmente são reconhecidas mundialmente, assim como Stephen.

Stephen disse na entrevista que não sabe a sua influência que teve em Meyer, mas que ele já sabe que Rowling lia seus livros quando ela era mais jovem, o escritor elogia o trabalho da autora mas diz não gostar dos livros de Stephenie:

“Eu acho que sirvo como fonte para alguns escritores, e isso é muito bom. Tanto Rowling e Meyer são direcionadas a jovens, a diferença é que Jo é uma escritora maravilhosa e Stephenie Meyer não consegue escrever algo que vale a ser tão merecedor. Ela não é muito boa.”

Na entrevista, King também falou mal de outros escritores além de Meyer, mas ele disse que eles fazem sucesso devido ao assunto dos livros, como Crepúsculo, por ser “uma história de uma geração de garotas que querem participar numa jornada de amor e sexo e um cara que as ame e as proteja como Edward”. Stephen já teve seus livros exibido nas telonas, um exemplo é O Apanhador de Sonhos, lançado em 2003.

Reação das Fangirls

(tudo real tirado no ctrl-C e ctrl-V)

Luu C.: INVEJOSO, NOJENTO, RIDÍCULO, SEM NOÇÃO, VÁ ESCREVER UM LIVRO E VENHA FALAR MAU DE QUEM QUER QUE SEJA.

• ana c! (: É o prazer que essa gente tem de criticar o trabalho de alguém. Se ele acha o livro de Meyer ruim, porque não vai ele mesmo escrever algum? Dae ele vai ver a frustração de ver um trabalho pra que você se esforçou sendo criticado por algum BABACA que não faz merda nenhuma :)

• ana c! (: Sim, mas continuo achando, que a opnião dele pouco importa para fãs que realmente amam Twilight.
Eles não entendem, sabe? Todos os livros que o Stephen King fez, não tem o mesmo objetivo de Twilight.
Crepúsculo é um livro para teenagers, jovens, e claro que todos podem ler mas os livros dele, são feitos para observar casos da vida, coisas lindas. Twilight não tem esse objetivo, ele conta amor e aventura.
Os livros de Stephen são feitos para a vida ;)

Luu C.: O fato dele ser escritor também só torna a inveja mais pronunciada, tipo ‘ela é melhor que eu, vou esculachar ela.’ Louco, frustrado só por que os livros dele não fazem tanto sucesso, bjs.

ஒ Dєbbiє: fora q isso neeem deve ter a vr com o fato d q ele é um escritor q atualmente mta gente nao conhece (como eu o/) e ela tbm é escritora e d mto sucesso

‘ Teleco~/:  Stephen King? quem é este mesmo…? é a mesma coisa das Rouges vir falar que acha a Madonna muito fraca ¬¬
Nem sabia da existencia da pessoa :~ tsc ²

Giselly: Quem é esse SER chamado Stephen King (?) Minha opinião: Só falou mal da Stephenie Meyer pq ela conseguiu fazer em pouco tempo o q ele não deve ter conseguido fazer em ANOS de carreira!

Fê: Concordo com a kamila.. Esses criticoos se achaam neh.. Pelo amor de deus.. A opinião desse cara num importa..Talvez ele deva checar o tamanho do sucessoo do livro..pra depoiis ficar falando :S

яααphαєℓ: ciceramente king é ridiculo…fala mal dos outros e fica famoso é facil…faze melhor que eles é meio complicado…mayer é uma das melhores escritoras que eu ja lii, e seus livros estão em 1º loguar na lista de best sellers do the new york times um dos + renomados programas de tv americano!

diana corti.: Q ridiculo isso!!!

Stephan King ta é cm inveja da Stephanie pq ele nao tm criatividade e habilidade suficiente pra chega aos pés dela.
Esses criticos se acham mtoo neh…eu nao me importo cm a opinião dele, pra mim a Stephanie sempre vai ser uma das escritoras mais s destaca no mundo inteiroo!!
p.s.: tambem gosto da J.K.

Katherine: eu nem sei se essa criatura é homem ou mulher… mais na real ela ou ele é mto sonso….. (ou sonsa)

FONTE: Bignadaquasar

Este vídeo é uma resposta à opinião de uma fã de Crepúsculo, que tentou desacreditar Stephen King e sua crítica que dizia que Stephenie Meyer não consegue escrever nada que preste.

O vídeo foi feito por auraldemolition, e as legendas em português foram adicionadas depois por smithsony23.

Vídeo usado com permissão do autor.

Saiba quem são os 10 escritores mais bem pagos do mundo

A Forbes anunciou na última quinta-feira, dia 19, a lista com os 10 escritores mais bem pagos entre junho de 2009 e junho de 2010.
O interessante é que quase todos os citados já tiveram alguma obra adaptada para o cinema ou TV. Os valores listados pelo site correspondem aos ganhos dos autores tanto com vendas nas livrarias quanto em direitos autorais (cinema, TV, gibis, etc.).

Veja quem são eles abaixo, em ordem decrescente:

10° - J.K.Rowling

Faturamento no período: 10 milhões de dólares.
Obras de Sucesso: Série Harry Potter.

9° – Nicholas Sparks

Faturamento no período: 14 milhões de dólares.
Obras de Sucesso: Um Amor Para Recordar, Noites de Tormenta, A Última Música e Diário de uma Paixão

8° – John Grisham

Faturamento no período: 15 milhões de dólares.
Obras de Sucesso: O Júri, A Firma, O Cliente, O Dossiê Pelicano, O Homem que Fazia Chover.

7° – Janet Evanovich

Faturamento no período: 16 milhões de dólares.
Obras de Sucesso: Série Stephanie Plum.


6° – Dean Koontz

Faturamento no período: 18 milhões de dólares.
Obras de Sucesso: Caminhos Escuros do Coração e Do Fundo dos Seus Olhos.


5° – Ken Follett

Faturamento no período: 20 milhões de dólares.
Obras de Sucesso: Os Pilares da Terra.


4° – Danielle Steel

Faturamento no período: 32 milhões de dólares.
Algumas obras: O Brilho da Estrela, Um Longo Caminho Para Casa e Segunda Chance.


3° – Stephen King

Faturamento no período: 34 milhões de dólares.
Obras de Sucesso: O Iluminado, Carrie – A Estranha e Um Sonho de Liberdade.


2° – Stephenie Meyer

Faturamento no período: 40 milhões de dólares.
Obras de Sucesso: Série Crepúsculo.

1° – James Patterson

Faturamento no período: 70 milhões de dólares.
Obras de Sucesso: Caçada ao Predador, O 1° a Morrer e Mary Mary.

Romeu e Julieta – o que o mundo esqueceu

Incluindo Stephenie Meyer

Todo mundo já ouviu falar de Romeu e Julieta. A aclamada peça de teatro de William Shakespeare atravessa gerações (e MUITOS anos), inspirando autores e apaixonados de todas as formas. Inclusive, dizem algumas más línguas que andou inspirando Stephenie Meyer também. Afinal, todas as citações da obra shakesperiana que aparecem em Twilight devem ter servido como inspiração para alguma coisa (ou será que não?). Também costumam relacionar o casal Edward e Bella a Romeu e Julieta, mesmo depois que Meyer declarou que “Romeu e Julieta eram meio idiotas, eles mal se conheciam quando ficaram juntos” (o que também assusta um pouco, pode confessar). E aí fica aquela pergunta: terá um sentido nisso tudo?

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Olha, sentido ATÉ TEM. Afinal, amores sublimes e desmedidos como o de Romeu e Julieta, tem aos montes, e Meyer não foi a primeira e nem a última que usou do amor proibido a ponto de causar suspiros em milhares de românticos por aí. A questão é: até que ponto Meyer usou, de fato, a VERDADEIRA essência do romance de Shakespeare (e até que ponto ela realmente ENTENDEU do romance)?

Bem, os haters já devem imaginar a resposta que eu tentarei dar no final do post. Mas para TENTARMOS buscar uma resposta, temos primeiro que pensar o que foi Romeu e Julieta. E isso é uma questão complicada. A começar que eu não sou nenhuma entendida máxima no assunto da Literatura (embora tenha estudado um pouco na faculdade e lecionado a matéria por um ano, mas o que quero dizer é que não sou nenhuma expert e também não sou da Área de Letras, então tudo que falarei aqui é através dos estudos que fiz no Ensino Médio, bem como do material que li na época que fui professora). Segundo, e creio que nosso principal “problema”, é que Romeu e Julieta já foi imortalizado como o “maior romance de todos os tempos”, no sentido de que ele é visto apenas como “uma história de amor”, quando na verdade a coisa é BEM maior do que isso. Terceiro… bem, terceiro problema, a meu ver, é que, hoje, Romeu e Julieta é uma história conhecida, mas pouco lida (ou assistida). Muitos sabem que Romeu era um Montecchio, Julieta uma Capuleto, e as duas famílias eram inimigas. Muitos sabem que eles morreram no final. Mas, muitas vezes, é só. É como a historinha da Chapeuzinho Vermelho, é uma história do conhecimento público que a gente conhece porque ouve outros dizerem. Mas a sua totalidade, e tudo que envolveu a sua confecção… bem, os que sabem alguma coisa viu algum filme (o mais recente, que eu me lembre, é a versão com Leonardo di Caprio, da década de 90 – um filme interessante, aliás, porque, apesar de manter os diálogos originais, contextualiza a história em algo mais… contemporâneo). E às vezes, nem isso é suficiente para fazer com que possamos ver além dos beijos e abraços dos dois infelizes apaixonados.

Então, vamos começar falando só de Romeu e Julieta:

1) Classicismo – a volta da razão

A primeira coisa que devemos ter em mente é o período em que Shakespeare viveu, bem como a escola literária em que ele se encaixou.
William Shakespeare (1564-1616) pertenceu a um movimento conhecido como Classicismo. Vamos dizer que Classicismo foi a manifestação literária do Renascimento. O movimento Clássico se espalhou não só na Inglaterra, mas também em outros países como Portugal (cujo principal representante era Camões) e Espanha (Miguel de Cervantes). As características do Classicismo são basicamente: a valorização da cultura antiga (principalmente a greco-romana), o resgate dos valores pagãos (muitas vezes utilizados em mescla com os valores cristãos, como Camões fez em “Os Lusíadas”), e o principal: a valorização dos conceitos ligados à razão (racionalismo, universalismo, naturalismo, etc). Vejam bem: valorização da RAZÃO. Ou seja, sentimentos poderiam até ser retratados e explicados, porém seriam vistos com um viés RACIONAL. Afinal, a Europa estava saindo de um período bastante agitado (e as Cruzadas que o digam), quando a emoção, sobretudo a religiosa, eram não só a vida, mas também a diretriz do estilo de vida. Até mesmo para apagar e desvalorizar toda a produção medieval (que não é pouca e muito menos pobre, que fique claro), os clássicos fizeram questão de rebater cada ponto, e para isso apertaram forte na tecla da razão: os sentimentos podiam ser bonitos, mas ao mesmo tempo eram perigosos. E eles retraram isso das mais diversas formas.
Cervantes foi um dos mais “cruéis”, satirizando nosso querido Dom Quixote, apaixonado por romances e por novelas de cavalaria, a ponto de que até seu escudeiro, Sancho Pança, fosse mais inteligente (sendo ele a voz da razão para o louco Dom Quixote – o que seria considerado um absurdo entre os cavaleiros, imagine um escudeiro sendo mais que seu mestre). Camões não foi muito diferente. Nota-se isso em seu trabalho minucioso em deixar seus poemas perfeitos, sempre na medida nova, com esquemas constantes de rimas e temas também constantes (seus poemas líricos, principalmente).

Ah, mas Camões criou o poema do “Amor é fogo”. O que tem de racional nisso?

Bom, vamos analisar o poema.

“Amor é fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer

É um não querer mais que bem querer
É solitário andar por entre a gente
É nunca contentar-se de contente
É cuidar que se ganha em se perder

É estar-se preso por vontade
É servir a quem vence, o vencedor
É ter com quem nos mata lealdade

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade
se tão contrário a si é o mesmo amor?”

Bonito? Concordo! Mas vejam bem… amor é fogo que arde, é ferida, não contenta completamente, te deixa solitário, e o ponto chave: deixa a pessoa completamente à mercê de outra (fica preso por vontade, você é leal a alguém que talvez te mate). Apesar do poema ser bonito (e bastante sincero), ele é meio claro: amor é um sentimento meio paradoxal, e por vezes perigoso (mas como causar pode seu favor, nos corações humanos amizade, se tão contrário a si é o mesmo amor?). Isso é o lado racional do poema falando mais alto: o sentimento existe, é complexo, mas não é tão bonito assim (mesmo que o poema seja).

Oks, e onde William Shakespeare se encaixa nisso?

Bom, vamos dizer que William foi nosso representante inglês do Classicismo. Seus trabalhos mais famosos foram peças de teatro como Hamlet, Rei Lear, Otelo, Macbeth, Sonho de uma noite de verão e, claro, Romeu e Julieta.

Antes de falar de Romeu e Julieta especificamente, quero falar de duas obras de Shakespeare que eu particularmente conheço um pouco e demonstram o que quero dizer sobre valores clássicos: Otelo e Sonho de uma noite de verão.

Bem, Otelo é um drama. Conta a história de um mouro (árabe), que apaixonado pela bela e européia Desdêmona, se torna cristão e se casam (meio a contragosto do pai dela, mas caso que foi resolvido rapidamente, principalmente porque Otelo era um homem muito bem visto entre os membros do governo). A felicidade do casal ia muito bem, até que Otelo, general do reino de Veneza, promove Cassio (seu grande amigo e um dos responsáveis por ajudar Otelo e Desdêmona a ficarem juntos) a tenente, causando a ira de Iago, alferes que queria o posto.

O que Iago faz? Causa uma intriga digna de novela das oito (ou até mais do que isso, tendo em vista a qualidade das novelas ultimamente), forjando cartas de amor de Desdêmona para Cassio, e fazendo com que Otelo descubra. O ponto alto da intriga se dá quando Otelo encontra o lenço que deu a Desdêmona no quarto de Cassio (obra de Iago, claro). Descontrolado, Otelo acusa Desdêmona de traição e a mata por asfixia. 

Quando descobre a armação de Iago, se desespera e se mata.

Cabe dizer aqui duas coisas, uma sobre Otelo e outra sobre Desdêmona. O mouro era considerado um homem fiel, inteligente, forte e tinha grande estima entre os membros do Estado de Veneza. Suas habilidades e estratégias faziam dele uma pessoa de confiança, tanto que foi capaz de convencer o pai de Desdêmona, Brabâncio, e todo o governo de que ele era um bom marido e que eles poderiam ficar juntos (o que era meio raro, tratando-se da união de um europeu com um mouro). Desdêmona, por sua vez, era completamente apaixonada por Otelo. Suas cartas de amor e sua dedicação ao marido (a ponto de desafiar seu pai e o governo de sua nação) eram claras, e ninguém jamais duvidaria de seu amor, quem dirá dizer que ela o traía.

E o que amor fez a eles? Principalmente a Otelo? Transformou-o em uma pessoa desconfiada, descontrolada e matou a ambos, Desdêmona e Otelo. O amor de Otelo era tão desmedido e perigoso que ele sucumbiu aos planos de Iago, como um patinho pagando uma pensão para Stephanie Brito.

Talvez, se Otelo tivesse sido mais racional e apurado o caso com mais cuidado (e tido mais paciência), talvez Desdêmona não tinha morrido. Mas não foi o que aconteceu. Desdêmona e Otelo morreram. Morreram vítimas de um sentimento desmedido, controlado pelos ciúmes. É Shakespeare dizendo “olha só, se não tomar cuidado, se deixar se levar pelo amor, é isso que acontece”.

(e só pra lembrar, Dom Casmurro, de Machado de Assis, foi baseado em Otelo. Vejam também o final de Capitu e de Bentinho)

E aí temos Sonho de uma noite de verão. Essa obra é o total oposto de Otelo: é uma peça leve, de comédia, que retrata a predileção dos clássicos pela cultura greco-romana. A história se passa em Atenas, e começa com Egeu querendo casar sua filha Hérmia a força com Demétrio. Porém, Hérmia é apaixonada por Lisandro, enquanto que sua melhor amiga, Helena, é apaixonada por Demétrio. Para resolver a situação, Hérmia e Lisandro resolvem fugir de Atenas, pois aí podem se casar em outra cidade, livrando-se assim da obrigação do casamento com Demétrio e deixando o caminho livre para Helena.

Os problemas começam quando, na floresta por onde os apaixonados irão passar em sua fuga, está acontecendo a briga entre a rainha das fadas, Titânia, e o rei das fadas, Oberon: ambos disputam a posse de um menino indiano, que é protegido de Titânia. Para descontar sua raiva com a briga e conseguir o menino para si, Oberon arma com o elfo Puck uma armadilha para ela: aproveita que uma companhia de teatro amadora de artesões está ensaiando uma “tragédia hilariante” para o casamento do Duque de Atenas, Teseu, e pede para que Puck jogue uma poção do amor para Titânia se apaixonar perdidamente por algum deles (e quando digo perdidamente, é perdidamente MESMO, para Titânia fazer TUDO pelo seu novo amado, inclusive entregar o menino indiano). Ao mesmo tempo, Oberon presencia a novela de amor de Hérmia, Lisandro, Demétrio e Helena. Demétrio, furioso ao descobrir sobre a fuga de sua noiva, vai para a floresta atrás de Hérmia, e é perseguido por Helena, que chora e suspira para que ele a ame. Oberon, comovido pela dor de Helena, pede para Puck que também jogue a poção em Demétrio, para que assim ele se apaixone pela jovem.

Puck, ser muito travesso e muito atrapalhado, consegue parte do plano. Joga a poção em Titânia, mas no meio do caminho tem um acidente com a companhia de teatro, e com o susto, transforma a cabeça de um deles em uma cabeça de burro – e quem diria, é o primeiro que Titânia vê e por quem se apaixona loucamente. Bem, parte do plano executado. PROBLEMA começa quando tenta cumprir a outra parte do plano. Puck encontra um ateniense dormindo na floresta, e meio afastado dele, uma ateniense dorme também. Puck deduz que esse ateniense é o mesmo de quem Oberon falou, e joga a poção do amor nele. Porém, esse ateniense é Lisandro, que ao acordar, se dá de cara com Helena. E se apaixona perdidamente por ela.

Oberon, ao saber disso, fica furioso, e ambos tentam consertar a situação. Jogam a poção em Demétrio, que finalmente se apaixona por Helena. Porém, agora Lisandro também a quer, e os dois novamente voltam a brigar, deixando Helena confusa e Hérmia desesperada por ter perdido seu grande amor para sua melhor amiga.

E nem vamos dizer que Oberon começa a ficar enciumado ao ver Titânia com tantos carinhos para seu querido burro, mesmo sabendo que isso fazia parte do seu plano (do qual não desiste, deixemos claro).

A história termina com Puck conseguindo um antídoto para a poção, curando Titânia e Lisandro. Titânia volta às pazes com Oberon (principalmente depois das loucuras de amor que fez por um cabeça de asno, o que a deixa bem envergonhada, e depois, claro, que Oberon consegue o menino), e Lisandro volta com Hérmia. Demétrio é deixado sob o efeito da poção, e assim fica com Helena. Os quatro jovens voltam para Atenas, e agora que Demétrio quer ficar com Helena, não resta opção para Egeu a não ser aceitar Lisandro como genro. Todos se casam junto com Teseu e Hipólita, e durante a festa de casamento assistem a peça dos artesões (só para matar a curiosidade, o cidadão amante de Titânia é curado por Puck e volta a ter cabeça de gente), que encenam uma versão cômica da tragédia Píramo e Tisbe (uma das obras que inspirou Shakespeare a escrever Romeu e Julieta, aliás). Puck encerra a peça abençoando todos os casais presentes e dizendo que tudo que viram não passou de um sonho de uma noite de verão.

E eu contei todo esse pastelão que eu amo pra quê?

Bem, vamos ver do começo. A história toda é uma comédia, ou seja, tudo tende a ser satirizado. Incluindo o romance. Basta ver toda a confusão que se cria por causa do amor mal-fadado de Lisandro e Hérmia e dos sofrimentos da solitária Helena. A própria poção de Puck demonstra o lado “escuro” do amor, que deixa cego e faz as pessoas agirem sem pensar: Demétrio e Lisandro começam a brigar e a se duelar por causa de Helena, coisa que não acontecia por Hérmia, por mais que ambos gostassem dela. O amor insano, descontrolado, juvenil, imprudente, impensado. E que fez Titânia se apaixonar perdidamente por um asno O.O

Aaaaaaaah, mas aí não é amor de verdade.

EXATO! Não é amor de verdade. Mas todos pensaram que fosse. Assim como muitos pensam que aquele carinha legal é o amor da sua vida, ou que vai se casar com seu primeiro namorado/amor. Esse tipo de “amor” é o amor louco, perigoso, que só não terminou em tragédia porque os enamorados (com exceção de Demétrio) acordaram. Ou seja, Shakespeare satirizou e condenou de novo o amor, agora de uma maneira diferente. Em Otelo, condenou o amor verdadeiro, porém obsessivo, sem controle. No segundo, condenou o falso amor. A racionalidade sendo valorizada em relação aos sentimentos (neste caso, o amor), mesmo que de uma maneira indireta (e no caso de Sonho de uma noite de verão, de maneira bastante divertida).

Mais provas? Ainda em Sonho, temos que Oberon foi o único que REALMENTE se deu bem em toda a história. Ele gosta de Titânia? Gosta, não vamos dizer o contrário (mesmo que os dois só briguem e ele constantemente arraste uma asinha para Hipólita). Ele se comove com as questões sentimentais? Se comove, tanto que tentou ajudar Helena. Ele fica incomodado ao ver Titânia com outro, mas ainda assim segue seu plano até o final. Resultado: volta às pazes com ela e ainda consegue o menino. Se isso é certo? Eu não sei. Confesso que acho até meio sacana da parte dele (e algumas outras coisas que não vem ao caso agora). Mas o fato é que Oberon foi o único que conseguiu controlar suas emoções, deixando sua astúcia falar mais alto, ao executar o plano contra Titânia. E ele se deu bem. Mesmo com todas as atrapalhadas do Puck, detalhe.

Shakespeare é um autor clássico. E suas obras seguem essa tendência. Incluindo Romeu e Julieta.

Então vamos a ele.

2) Romeu e Julieta – antes de tudo, uma tragédia.

Eu disse um pouco acima que uma das inspirações para a obra de Shakespeare foi Píramo e Tisbe, que na peça Sonho de uma noite de verão é satirizada na versão cômica dos artesãos. Bem, rola boatos de que, paralelamente a Sonhos, Shakespeare escreveu “Romeu e Julieta”. Se escreveu, não vem ao caso, mas é legal por ver como ele usou o conto grego de maneiras diferenciadas. No caso de Romeu e Julieta, a inspiração foi clara, tendo em vista a tragédia devido ao romance proibido (o que prova que nem Romeu e Julieta foi inovador nesse ponto.Quem dirá a Meyer). E o final evidentemente trágico.

Acho que a história de Romeu e Julieta já é conhecida pelo público, mas já que descrevi a de Otelo e a de Sonho, vamos falar um pouco dela: Romeu Montecchio é o único filho dos Montecchio, família importante em Verona, e rival de outra família igualmente importante, os Capuleto, de quem Julieta era única herdeira (embora tivesse seu primo Tebaldo). As brigas entre Montecchio e Capuletos estão proibidas em Verona pelo príncipe Escalo, e a pena para quem se envolver em tais brigas é a pena de morte. Ótimo, as coisas parecem estar sob controle.

Até que os Capuleto decidem dar uma festa à fantasia, onde todas as famílias nobres da cidade (com exceção dos Montecchio, claro) são convidadas. Nessa festa, o senhor Capuleto pretende apresentar sua filha Julieta ao nobre Páris, parente do príncipe Escalo, com quem quer casá-la.

Paralelo a tudo isso, temos o jovem Romeu sofrendo as dores do amor. Apaixonado por Rosalina, uma jovem que prometeu ser virgem para sempre, Romeu está em depressão profunda, querendo morrer por causa de sua paixão não correspondida. Para consolá-los, seus amigos Bertólio (que é primo de Romeu) e Mercuccio decidem levá-lo à festa dos Capuleto: Mercuccio, também parente do príncipe, foi convidado, e pode levar todos os amigos que quiser. Os jovens aproveitam que o Baile é de máscaras e entram disfarçados, e não são reconhecidos. Romeu não gosta muito da ideia, mas quando sabe que sua amada Rosalina vai, decide ir também para contemplá-la.

No baile, Romeu vê Julieta e a paixão entre os dois é instantânea. Exatamente o que você leu, é a primeira vista. Mas e Rosalina? Bem, Romeu encontrou em Julieta o conforto para esquecer Rosalina de vez e recomeçar. E nessa festa ambos trocam juras de amor, até descobrirem quem realmente são, e começarem todas as lamentações.

Isso não seria nada, se na festa o primo de Julieta, Tebaldo, não tivesse reconhecido Romeu e jurado matá-lo pela infâmia de ter ido ao Baile. Só não o faz na festa porque seu tio, senhor Capuleto, o impede, dizendo que não era ocasião, além de que Romeu era bem visto em Verona, para não falarmos da lei do príncipe Escalo. Mas isso não faz Tebaldo desistir: pelo contrário, ele jura ir desafiar Romeu no outro dia.

Entre o fim da festa e o outro dia, temos a famosa cena do balcão de Julieta, onde ambos trocam suas juras de amor, lamentam a rivalidade de suas famílias e prometem que, mesmo assim, vão se casar, como prova do amor de Julieta e das boas intenções de Romeu. É, amigo, é o que você pensou: eles se conheceram, se apaixonaram e já vão se casar. E eu garanto, assim como está parecendo estranho para você, também era meio estranho para Shakespeare. E por isso ele fez assim.

No outro dia, Romeu vai conversar com Frei Lourenço, pedindo sua ajuda para realizar, ainda naquela tarde, o seu casamento com Julieta. E surpresa? Frei Lourenço TAMBÉM estranha muito essa paixão repentina. O que fica claro em sua fala:

“Por São Francisco! Que mudança é essa? Rosalina adorada e tão depressa posta no esquecimento? O coração no amor dos moços nada influi, senão somente os olhos. Ai! Jesus Maria! Quantas ondas salgadas, noite e dia, a postura banharam-te amarela, só pelo amor de Rosalina bela? Quanta água salsa em vão jogada fora por um amor que ele não sente agora! Não desfez ainda o sol, em muitos giros, os vapores, no céu, de teus suspiros. Sinto ainda tuas queixas nos ouvidos. Eis em tua face, aqui, dos tempos idos, uma lágrima ainda não lavada, que origem teve em tua namorada. Se o mesmo ainda és, que só de amor se fina, foi causa de tudo isso Rosalina. Mudaste tanto? Ouve a sentença amara: cai a mulher, quando o homem não a ampara”

Ou seja… WTH, ROMEU? Chorou tanto por Rosalina e de repente ama a sua inimiga?

Só que, apesar de estranhar MUITO esse amor, Frei Lourenço vê na união dos jovens uma chance de acabar com a rixa entre os Montecchio e Capuleto. Então, pensando nas vantagens e no bem maior da cidade, que não aguenta mais a briga, ele decide ajudar o jovem casal, combinando com Romeu o casamento para aquela tarde. Romeu, contente, encontra-se com a ama de Julieta, que leva o recado para sua querida pupila, e o casamento acontece. Frei Lourenço fica feliz: afinal, que mal poderia resultar naquele casamento? Só coisas boas viriam.

Mas acho que vocês lembram do primo da Julieta, Tebaldo. Que jurou vingança. Pois bem, logo após o casamento secreto, Tebaldo encontra Romeu, e o desafia. Romeu, agora parente de Tebaldo, tenta negar o duelo, dizendo que agora ama Tebaldo, e não pode fazer mal a ele. Tebaldo, irado e querendo lutar de qualquer forma, duela com o amigo de Romeu, Mercuccio. O duelo é tão desastroso que Romeu, tentando impedir o combate, entra na frente de Mercuccio, deixando chance para Tebaldo ferir Mercuccio por debaixo do braço de Romeu. Mercuccio morre, amaldiçoando aquela guerra, e Romeu, frustrado, duela com Tebaldo, vencendo ao matá-lo.

Agora Romeu matou Tebaldo. O primo da sua esposa. E o príncipe Escalo está doidinho, porque sua lei foi quebrada. O que ele faz? Foge. Se esconde na capela de Frei Lourenço.

Escalo, por sua vez, ao ver que duas pessoas já morreram, decide que não é hora de condenar mais um a morte, e ao invés do castigo inicial, decide apenas exilar Romeu em Mântua. Ok, Romeu não será morto, vamos dar tempo ao tempo e quando a poeira abaixar, contemos de seu casamento com Julieta e tudo voltará ao normal, certo? Bem, foi isso que pensou Frei Lourenço. Mas Romeu estava tão desesperado e tão triste por ter que ficar longe de sua Julieta. Frei Lourenço o conforta, falando de seu plano e de como o destino foi bondoso com ele (e realmente foi), pois estava vivo e só tinha sido exilado. Com o tempo, tudo ia se acertar. Romeu passa sua noite de núpcias com Julieta e, pela manhã, vai para Mântua.

Tudo certo de novo… até o pai de Julieta, tentando consolá-la pela morte de Tebaldo (razão pela qual ele acha que ela está chorando), marca seu casamento com Páris para quinta-feira. Mas espera aí: Julieta JÁ está casada. E ela não quer nem saber de outro marido, ela apenas quer o seu Romeu. E discute com o pai, ele a amaldiçoa, e ela fica sozinha aos prantos. Sem alternativa, Julieta tenta se matar, mas algo fala mais alto e ela vai conversar com Frei Lourenço. O pobre padre se vê de novo numa enrascada, mas consegue arrumar uma solução: Julieta tomaria uma poção que a faria parecer morta por um dia. Enquanto os Capuleto a enterravam, Romeu seria avisado em Mântua, e no fim das vinte e quatro horas, ele e Frei Lourenço a roubariam de seu túmulo, e o casal ficaria em Mântua. Quando tudo estivesse passado, e a poeira abaixado, eles voltariam, revelariam o casamento e tudo ficaria bem. Tinha jeito ainda. Julieta aceita, e na véspera de seu casamento com Páris, ela toma a poção.

O plano seguia bem. Mas a carta de Frei Lourenço a Romeu não chega a ele. E para piorar, um amigo de Romeu fala da morte de Julieta. Romeu enlouquece, de tal forma que decide se matar, pois não pode mais viver sem sua amada. Compra veneno e, sem pensar duas vezes, vai para Verona. Frei Lourenço até tenta tirar Julieta do mausoléu antes de Romeu chegar (afinal, conhecendo Romeu, sabia que ele viria ver o corpo da amada), mas é impedido com a chegada de alguém. Romeu e Páris.

Páris chega primeiro, e começa a chorar. Ao entrar no mausoléu dos Capuleto, Romeu encontra e mata Páris para entrar no mausoléu, onde encontra Julieta sob o efeito da poção. Toma o veneno e assim morre. Instantes depois, Julieta acorda. E para seu desespero, tanto Páris quanto seu amado Romeu estão mortos. Frei Lourenço, desesperado, tenta levá-la consigo, mas com a chegada do príncipe Escalo, foge, deixando Julieta sozinha no mausoléu. A jovem, encontrando uma adaga com Romeu, se mata. Quando Escalo vê a situação e ouve Frei Lourenço, amaldiçoa toda a cidade, mostrando até onde o ódio das famílias chegou.

Ok, qual a moral nisso tudo? Bem, primeiro que Romeu e Julieta eram amados por Murphy -n. Tá, brincadeiras à parte (embora seja bem verdade o azar dos dois), temos um romance que tinha tudo para dar certo, MESMO com os infortúnios. E por que não deu? Porque tanto Romeu quanto Julieta foram imprudentes. E não digo isso porque eles se apaixonaram e já foram se casando, embora isso ajude no que falarei a seguir. Foram imprudentes porque se deixaram levar pelas emoções, do começo ao fim. Se Romeu não tivesse se descontrolado com a morte de Mercuccio, Tebaldo não teria morrido por suas mãos, e ele não seria condenado a nada (e não tinha por que se vingar de Tebaldo, ele seria castigado de qualquer maneira, principalmente porque ele matou um parente do príncipe). Mas matou. E aí foi para Mântua.

Se Julieta não tivesse se descontrolado tanto ao saber do exílio de Romeu, talvez seu pai não tivesse levado o seu sofrimento como perigoso, e não teria marcado o casamento. Mas não, ela chorou tanto que ele preferiu apagar a dor com outra coisa. Tudo bem. Mas se Julieta não tivesse se descontrolado mais ainda quando soube de seu casamento, provavelmente ela não brigaria com seu pai, e talvez até o convencesse a adiar o casamento. Mas não, Julieta se recusou terminantemente a casar, e com isso só causou a ira do pai, deixando o casamento para quinta. Ok, então. Vamos tomar a poção.

E vem o erro fatal. Se Romeu não tivesse se desesperado TANTO por Julieta, se tivesse ido buscar mais informações com Frei Lourenço sobre a morte, se não tivesse achado que sua vida acabou só porque ela morreu, com certeza ele saberia da verdade e Julieta seria resgatada. Mas não, ele achou que sua vida perdeu o sentido, pegou a poção, matou Páris e se matou, se nem mesmo saber detalhes do que tinha acontecido. Se nem mesmo buscar auxílio de alguém. Se nem ao mesmo CONSIDERAR de que a vida dele podia continuar, mesmo com tragédia tão forte. Com isso, Julieta também comete o mesmo erro, se negando a seguir com Frei Lourenço e preferindo a morte.

Eles podiam evitar a tragédia. Mas Shakespeare não quis assim. Porque ele queria UMA TRAGÉDIA. Para comprovar até onde o amor obsessivo e imprudente poderia levar. A razão faltou DIVERSAS vezes ao casal (mesmo que Frei Lourenço e por várias vezes a ama também os alertassem e dessem sábios conselhos), e com isso chegaram ao fim que conhecemos. O casal que se apaixonou daquela maneira até meio inacreditável, que eram tolos o suficiente para se deixarem levar pelo amor cegamente, para Shakespeare, só poderiam terminar tragicamente. NÃO ERA PARA SER UM ROMANCE BONITO. NÃO ERA PARA SER UMA HISTÓRIA DE AMOR VERDADEIRO (aliás, algumas vezes me questiono se o amor de Romeu e Julieta era de verdade). Era para ser uma tragédia, alertando os jovens para o que a falta de razão e bom senso pode fazer. Shakespeare queria nos passar uma lição. Amor tem que ser MEDIDO, PONDERADO, RACIONALIZADO. E pelo visto a lição é ignorada até hoje ¬¬ Afinal, Romeu e Julieta viraram sinônimo de amor eterno, verdadeiro e ideal. Por que, eu não sei. Mas virou.

E o engraçado é que em vários momentos da peça, vemos a verdadeira opinião de Shakespeare falando mais alto, principalmente na figura do Frei Lourenço. A minha cena favorita é a cena do casamento, onde o padre dá um discurso bonito sobre amor e de como ele deve ser levado. Vou colocar para vocês lerem.

“Essas violentas alegrias têm fim também violento, falecendo no triunfo, como a pólvora e o fogo, que num beijo se consomem. O mel mais delicioso é repugnante por sua própria delícia, confundindo com seu sabor o paladar mais ávido. Tem, pois, moderação, que o vagaroso, como o apressado, atrasam-se do pouso. (Entra Julieta.) Eis a dama que chega; uns pés tão leves não gastarão jamais a pedra eterna. O amante pode andar por sobre as teias que no ar balouçam, álacre, do estio, sem, contudo, cair; leve é a vaidade.”

TEM, POIS, MODERAÇÃO, QUE O VAGAROSO, COMO O APRESSADO, ATRASAM-SE DO POUSO! Quer coisa MAIS CLARA DO QUE ISSO? Shakespeare não disse que não podia amar, mas disse algo, lá no século XVI, que dizemos até hoje: AMEM, MAS COM MODERAÇÃO. Saibam ponderar, saibam levar, que tudo em exagero é ruim.

Mas pobre Frei Lourenço, foi esquecido nesse quinhentos e tantos anos..

E talvez isso explique muito.

3) Romeu e Julieta através dos tempos – o que ninguém ousou contrariar.

Assim como Shakespeare seguiu a linha das histórias que o inspiraram para Romeu e Julieta – tragédia! – a gente nota que outros autores, com o passar dos anos, repetiu o feito. Todos consideravam Romeu e Julieta um belo exemplo de casal, mas qualquer casal que repetisse os seus feitos geralmente terminavam com o mesmo fim. E isso é meio curioso: por mais que as pessoas TORCESSEM por Romeu e Julieta e seu final feliz, poucos ousaram a concretizar esse final feliz, e até me arrisco a dizer que os que tentaram não foram bem sucedidos.

O mais engraçado nessa história toda é que, de Shakespeare pra cá, tivemos muitos movimentos literários. Alguns mais voltados à razão, como o Arcadismo e o Realismo, outros voltados mais para o sentimental, como o Romantismo e o Simbolismo. Alguns nem se conseguem definir exatamente para que vertente segue, como o Modernismo. Mas é fato: até mesmo os mais exacerbados, como os românticos (já discutidos aqui nos posts da Tammie e da Jã), sabiam que o amor idealizado, sublime e exagerado tinha um fim meio comum: morte. A diferença se dava apenas na maneira como viam isso: se de maneira boa ou ruim. Mas o fim era sempre o mesmo.

E os romances de folhetim? E as obras de, sei lá, José de Alencar? Eles também seguiam a fórmula? Também não eram amores impossíveis, mas com finais felizes?

Bem, primeiro depende do romance. Nem todo romance de folhetim tinha final feliz, assim como nem todo romance do Alencar tinha bom final (vide Iracema). Nem todo romance daquele tempo tinham problemas ou eram tão intensos como de Romeu e Julieta. Aliás, uma parte dos romances de folhetim, pelo menos dos que eu li, apresentavam casos de amor puros, inocentes e fofos, mas também ponderados, e o maior sofrimento se dava mesmo em pequenas confusões, facilmente resolvidas (principalmente quando a razão dava o ar da sua graça). Mas bem, isso não significa que não existiu os casos de amor extremamente complicados que, depois de muita luta, conseguiu ter seu final feliz.

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Nenhum com muito êxito, creio eu. Tanto que a “síndrome” de Romeu e Julieta continua perdurando por anos, todos torcendo que os casais de amores impossíveis tenham seu final feliz, e geralmente chorando no final porque alguém morreu. Titanic que não me deixe mentir.

(o que me faz pensar… pelos céus, NEM EM TITANIC O CASAL FICOU JUNTO! Uma história de amor em um filme feito para vender, e James Cameron não arriscou, talvez por saber que não seria a mesma coisa e não seria coerente se Rose e Jack ficassem juntos – pra mim, ficou até mais bonito com Rose seguindo sua vida sozinha, a prova de que, MESMO com um amor intenso, e mesmo sofrendo, ela ouviu a voz da razão e seguiu em frente pra ficar viva. Coisa que Julieta não fez. E convenhamos, Rose e Jack tinham muitas semelhanças com Romeu e Julieta – e não digo isso só porque Romeu e Jack foram interpretados pelo Leonardo Di Caprio).

(e vendo bem agora, até as iniciais são as mesmas. R e J. LOLEEEEEEE!)

Mas aí chegamos no século XXI. E uma escritora resolve fazer sua versão de Romeu e Julieta.

E finalmente, o objetivo do post: por que deu errado?

4) Twilight – onde Meyer errou (não, não é repeteco do outro post. Mas estamos quase lá)

Acho que vocês perceberam na história de Romeu e Julieta semelhanças incríveis com nosso casal amado (-nn) Edward e Bella. O amor repentino, a vontade súbita de ficar juntos (mesmo que digam que é meio irracional), os desastres pelo caminho, e até mesmo a “suposta” morte, que faz o Romeu da situação (Edward) enlouquecer e querer morrer sem nem pestanejar. O amor é igualzinho: desmedido, intenso, inconsequente. Então, é normal que comparem mesmo, ainda mais quando a autora resolve citar a obra no livro. A única diferença? Edward e Bella não morreram (quer dizer, Bella não morreu, já que o Edward está morto… ah, vocês entenderam). E isso é MUITA coisa.

Por quê?

Simples: porque, quando Edward e Bella não morrem, significa que tudo que eles fizeram valeu a pena, e muitos passam a tomar o amor dos dois como algo válido e correto. FINALMENTE Romeu e Julieta ficaram juntos E VIVOS. Agora posso me tranquilizar e viver um amor tão irresponsável quanto o deles, porque não corro mais o risco de morrer.

(e nem vou tocar que, além de vivos, eles agora são IMORTAIS. Tudo que Romeu e Julieta não podiam ser – embora o sejam, de certa forma, mas em um sentido diferente)

Parece exagerado falando assim, mas é exatamente o que acontece, PRINCIPALMENTE PORQUE MEYER CITOU ROMEU E JULIETA NA OBRA. Quem lê pensa: ótimo, ela conseguiu fazer com que desse certo. Agora posso ser feliz, sem ter medo de ser ultra romântica(o) e esquecer o mundo e a prudência. Isso aconteceu porque ela DISTORCEU o que Romeu e Julieta significavam.

(e talvez por isso faça tanto sucesso: ela deu pro público o que eles queriam por anos, talvez por séculos. Claro que isso não a faz uma heroína nem nada – afinal, nem tudo que o grande público quer é o ideal, certo?)

Não que o problema esteja em eles ficarem juntos. Longe disso. O problema tudo foi O MEIO com que eles ficaram juntos. Eles repetiram a dose de Romeu e Julieta. Só que a dose de Romeu e Julieta leva à morte. E Meyer usou a mesma fórmula para… deixá-los vivos e felizes para sempre. Ou seja: DANE-SE o que rolou no meio. Enquanto Shakespeare se esforçou para valorizar o meio e com isso chegar ao final, Meyer usou o meio apenas para entreter, e o final não foi coerente.

“Ah, mas por que ela não pode deixar os dois juntos? Ninguém disse que todos precisam imitar Romeu e Julieta”.

É, ninguém disse. Mas ser de Deus, pensa comigo, o que você ESPERA de histórias emotivas demais, com tanto drama e tanta inconsequencia junta? O que você espera de um romance que começa sem mais nem menos (que é o caso de ambas histórias)? Se você pensar de maneira coerente, de maneira REALISTA, termina em algo triste. E histórias tendem a seguir a coerência da vida real (ainda mais livros, que influenciam milhares de pessoas. E agora, jovem Werther que o diga). É ISSO que faz as histórias serem BOAS (ou, no mínimo, plausíveis e razoáveis).

O que Meyer fez? Copiou TODA a receita de Romeu e Julieta, que só pode levar a um fim. E quando chegou a esse fim, MUDOU TUDO. Me diga: isso é mérito?

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Claro que não. Isso só mostra que ela quis satisfazer um desejo íntimo dela, ignorando algo que ela, como profissional da área de Letras, deveria saber mais do que ninguém: NEM TUDO É POSSÍVEL EM UMA HISTÓRIA. Tipo, você não pode dar um final bonitinho pra sua história só porque você quer, se ele não é coerente com tudo que você escreveu. E desculpem-me, se você imitou Romeu e Julieta, o final tem que ser no mesmo rumo. A não ser que você seja MUITO bom. Muito bom MESMO. OU que você queira passar uma mensagem com tudo isso, que vai além do “quero que eles fiquem juntos porque gosto disso”. Como Meyer não é muito boa, e muito menos tinha qualquer outra mensagem útil a passar… bem, creio que posso considerar isso um erro da parte dela.

Não adianta você querer mudar uma coisa dessas proporções. Tem que saber fazer.

5) Então, a gente não pode comparar Twilight a Romeu e Julieta?

É amigo, é mais ou menos isso. Não, você não pode. Quer dizer, até pode, mas não como obras iguais. Não importa se ela imitou a receita. Só o fato de ela ter mudado o final assim, sem mais nem menos, demonstra que as duas obras não tem NADA A VER. Mesmo que tenham usado a mesma historinha de amor. Usando uma comparação bem esdrúxula, Twilight e Romeu e Julieta são como sonho e lua de mel (os doces): mesmo recheio, mas doces completamente diferentes.

Ok, perdão de novo pela brincadeira tosca. Mas o que eu quero realmente dizer é: Twilight não pode ser o “Romeu e Julieta” do século XXI porque as MENSAGENS são diferentes. Os OBJETIVOS são diferentes. Você pode compará-los, mas a conclusão que você precisa chegar é essa: NÃO SÃO IGUAIS. Romeu e Julieta tinha um objetivo BEM diferente a passar para o público em relação ao que se vê em Twilight. E aposto com você que cada vez que alguém diz que Edward e Bella são os novos Romeu e Julieta, Shakespeare se remexe em seu túmulo (como se ele não tivesse muitos outros motivos para isso).

O problema NISSO tudo é que parece que tanto os leitores da saga quanto a própria Meyer se esquecem disso. E creio que a razão disso é a mesma que eu disse no começo do post: as pessoas esquecem de que Romeu e Julieta é uma tragédia do Classicismo, e a veem apenas como uma história de amor. Só que os leitores errarem isso, ainda mais aqueles que não tem muito contato ou muito interesse pela Literatura, ainda é aceitável. Mas Meyer é formada em Letras! Formada em Letras nos EUA, ou seja, estudou A LÍNGUA INGLESA e com certeza ESTUDOU SHAKESPEARE ATÉ SE ENTUPIR. Ela deveria entender Romeu e Julieta mais do que ninguém (entender, não gostar, que fique claro). Então, não faz o MENOR sentido ela cometer uma gafe dessas. Quer dizer, faz, se você considerar que ela ignorou tudo isso para seu próprio benefício. O que, vindo da Meyer, não me espantaria muito.

E isso só torna ainda pior a declaração dela de que “Romeu e Julieta eram meio idiotas, eles mal se conheciam quando se apaixonaram”. Porque demonstra que, além dela não olhar pro próprio umbigo (afinal, Edward e Bella TAMBÉM não se conheciam, EXATAMENTE por imitarem Romeu e Julieta – o que também torna a coisa meio cínica), ela não entendeu o romance. Afinal, se Romeu e Julieta não fossem “meio idiotas”, a gente não tinha a peça, e muito menos a mensagem que Shakespeare quis passar.

E, claro, o fato dela CITAR Romeu e Julieta na Saga confirma tudo isso. E aí fica a minha mensagem: queridos fãs hards, por favor, não achem que só porque ela citou obras clássicas que isso faz do livro bom ou dela uma grande entendida. SAIBAM do que falam esses livros. E aí, quem sabe, vocês veem que Meyer realmente não entende muito da coisa. Do contrário, ela não citaria.

Lily

[OFF] Violência contra a mulher: pense nisso

Sei que não é o melhor momento pra jogar esse post no blog, mas é o momento em que as coisas estão acontecendo e, por motivos diversos, estou sem meu blog pessoal. É algo completamente off, como o post do Enem da Tammie e o do diploma de jornalista da Lils e, embora muitas analogias possam ser feitas, não tem nada a ver com Bella Swan e Edward Cullen, Crepúsculo e o que seja.

Falarei dos dois casos absurdos rolando na mídia, um mais que outro: o da Eliza Samudio e o da Mércia Nakashima. Digo “um mais que outro” porque a coisa da tal da Eliza, se procede, é hedionda demais, mas ambos, evidentemente, são casos horríveis, nenhum menos pior nem nada. São seres humanos, são mulheres que perderam a vida por alguma coisa que, por pior que seja, não vale tudo isso. Porque, veja bem, já disse Gandalf: se você não pode dar-lhes a vida, não seja ávido ao julgar e condenar alguém à morte (sei que a citação não é exatamente essa).

De qualquer forma, queria chamar a atenção pra esse detalhe: são mulheres. Como Eloá era uma mulher. Como tantas outras perseguidas, agredidas, mutiladas, violentadas são mulheres. Tantas e tantas que foi necessário criar uma lei específica pra agressão contra mulheres.

Tem gente que às vezes ri desse lance de feminismo. Tem gente que desdenha pra dizer que tudo é “problema da sociedade machista e patriarcal”, tem gente que acha que algumas formas de machismo são bonitinhas (!), tem gente que diz um milhão de coisas. Talvez porque entenda o feminismo como uma libertação feminina muito pouco séria e não entenda o QUANTO essa relação de oprimido X opressor afeta a vida de muitas mulheres, inclusive daquelas que nunca sentiram na pele o que é a discriminação por gênero.

Não sei se me faço entender direito, mas é por aí: há quem pense que o feminismo é só conseguir para a mulher o direito de trabalhar fora e de abrir as pernas pra quem quiser e quando bem entender. Pronto, acabou aí. Não tem mais o que a mulher possa querer. Mas não é verdade. A gente pode falar em política, pode falar em direitos, pode falar em milhares de coisas que não são de interesse da sociedade como um todo (I mean, gente mais alienada ou desinteressada ou o que seja), mas existem aqueles problemas maiores que poderiam ser com qualquer uma. Como a agressão doméstica a mulheres.

E aqui eu falo de agressão. Não é de relacionamento. Não é de mulheres destruidoras de coração. Não é das mulheres que não querem nada sério ou isso ou aquilo. Não gosto de falar do assunto, mas tive um namorado que adorava dizer que o problema de tudo são as mulheres. As mulheres que ridicularizam os homens feios, as mulheres que estão interessadas só em dinheiro, as mulheres que acham que podem muito porque são mulheres e daí por diante. Não, não é disso que to falando. Algo que me é importante é que algumas coisas são caráter, e não gênero. Homens também desprezam mulher feia, mulher pobre ou mulher gorda. Homens também brincam com sentimentos. É caráter. Fim.

Falo de coisa maior. De violência. De morte. De mulher que é morta porque quis ter voz, quis ter vontade. Não importa se a Samudio quis dar o golpe no Bruno. Não importa se a Mércia tinha problemas profissionais com o ex-namorado. Um ponto comum, e que é um ponto comum com o caso do Lindemberg, e também é um ponto comum com milhares de outros sem tanto destaque, é que são envolvimentos amorosos/sexuais que acabaram em morte… da mulher.

Agora para e pensa: quantas vezes um homem esteve no mesmo lugar? Quantas vezes um homem foi violentado ou assassinado por ciúme, pelo sentimento de posse da mulher, por inconformidade, porque deu o golpe na ex? Eu conheço um ou outro, concedo. De fato, assim, numa situação dessas, conheço um. A mulher era traída. Mandou matar o marido. Um. De mulher que ameaça, já vi muitas. De mulher que cumpre a ameaça, nenhuma. Essa aí que matou, de fato, nunca ameaçou. De homem, só na mídia nesse ano e meio de blog, foram três. Também vivi, há alguns anos, uma pessoa muito próxima da família ser assassinada pelo ex-marido ciumento.

Essa pessoa próxima fez várias queixas. O marido a ameaçava há tempos. Não quero entrar em detalhes nem nada, mas o caso é que ela ia à delegacia da mulher cada vez que ele fazia uma ameaça nova. Só tomaram providência depois que ela morreu. Diz na mídia que a Samudio também denunciou o Bruno por ameaça. Vai saber. Não sei, pode ser ineficiência da polícia (que a Tammie que me desculpe, mas a gente sabe que rola e MUITO), pode ser aquele papo de “cão que ladra não morde”…

Independente disso, acho que eu nunca ouvi falar de algum homem que efetivamente procurasse uma delegacia pra abrir queixa de ameaça feita por mulher. Eles nunca levam a sério, é algo como “aquela louca disse que quer me matar, hehe”. Provavelmente porque sabem que isso talvez nunca aconteça, “cão que ladra não morde”. Eles nem precisam de lei que o ampare nessas situações, porque provavelmente não é algo corriqueiro. É a ideia do sexo forte, afinal.

E a gente sempre acha que não vai acontecer com a gente, né? Eu acho. A gente sempre acha que é grandinha, que sabe se defender, que não vai cair nessa lábia, que sujeito que ameaça não merece segunda chance, essas coisas. Sim, a gente tem consciência, a gente sabe como agir, às vezes a gente até tem noção de auto-defesa pra se livrar de algum cara maluco. E eu não duvido que a Mércia, que a Eliza, que a Eloá e que a minha conhecida também tinham…

Essa última aí já tinha se afastado do sujeito, já tinha denunciado, já tinha tomado providências… e não adiantou nada, porque ele tinha uma arma. Como o Lindemberg. O que é que a gente pode fazer contra uma arma? É claro que ninguém ta livre disso, homens, mulheres, cachorros, crianças. Mas não to falando de crimes no geral, então nem vale a pena abrir mais esse ponto. O negócio é que não adianta a gente saber se defender se o cara tem uma arma. Na noite do ocorrido, ela disse que não daria carona pra um aluno, porque sabia que tava sendo seguida. Ela nem foi pra casa dela. E não adiantou nada, não porque o cara fosse mais esperto, mas porque ele tinha uma arma…

E se violência doméstica, da qual a gente consegue escapar se não for Amélia, já é algo complicado só pelo estigma da força física superior que tem o homem, que é que dá pra dizer sobre o cara, além de tudo, ter uma arma? É o homem branco e heterossexual, forte por definição, portando aquilo que o torna praticamente invencível. Não é vitimizar a mulher. Repito: quantas vezes um homem se viu nessa situação?

De novo: não é vitimizar a mulher. É só pra pensar nisso. Eu nunca tinha pensado até a Eloá morrer, e só pensei porque li por aí. Como já disse, talvez aqui no blog, acredito no discurso como forma de ação porque, afinal, EU fui convencida por algum discurso um dia (e só assim, sendo convencido, é que a gente pensa em levantar a bunda da cadeira e tomar alguma atitude, afinal). Então, sei lá, quando vejo por aí esses lances de “feministas não me representam” ou “malditas feministas, é por causa delas que a gente tem jornada dupla de trabalho”, a primeira coisa que penso é na Lei Maria da Penha. Não porque considero um ganho feminista que ela tenha existido, mas porque considero um absurdo machista ela precisar existir (como sei que precisa, sim).

Sei que é um post breve e nem foi super explorado nem nada, mas pra fechar, repito o que disse lá em cima: tem gente que acha que o feminismo é só conseguir pra mulher o direito de abrir as pernas e de trabalhar, mas não é. Nem é só discutir padrões de beleza e objetificação e desvalorização da mulher, não (ainda que a violência doméstica ou a “subjugação” num relacionamento seja uma forma de desvalorização). Talvez essa seja a gente que chegue aqui e fale que não entenda porque achamos que Twilight é machista. Sei lá, não é o momento pra analogia. Só espero que o post seja brecha pra alguém entender que a coisa é MAIS e corra atrás. Hahah. Parece folgado de minha parte dizer isso, mas (ainda) não sou autoridade no assunto e não quero ser citada por ninguém pra isso.

Só acho que é válido pensar sobre.

E voltemos à programação normal.

(Ana)

Twilight Haters BR – como tudo começou e porque tudo continua

(A ideia desse post era ser colocado depois do MTV Debate, mas como o da Nani veio primeiro, entendam como um complemento a ele, ok? Desculpe se parece repetitivo, mas imagino que sejam outros focos.)

Em determinado momento do programa, nosso criticadíssimo Lobão (o Faustão da MTV) perguntou se o “odiar” não é algo tão doentio quanto amar Twilight. A Lily tentou dizer que não, que o termo é apenas uma brincadeira, e acabou ficando pela metade, então vamos lá:

Afinal, quem somos nós, como isso começou e por que diabos continuamos se é tudo uma brincadeira?

É válido dizer, em primeiro lugar, que o Twilight Haters BR não é só a Lily, só a Tamara, só o Anísio. Sei que parece idiota dizer isso, mas é importante ressaltar que são quase 20 pessoas que fazem isso acontecer: Ágatha (a Nuriko), Ana, Anísio, Giovanna (a Gi ou a Hika), Júlia, Laís, Letícia (a Lily), Marianne (a Marie ou a Kisa), Marina (a Mari), Nathalia (a Nani), Tamara (a Tammie), Thaís (a Thay) e a Venenosa (que não divulgou o nome no perfil do blog, então manteremos em segredo) são a equipe do blog, quem, de alguma forma, contribui com posts, comentários ou sugestões pra posts. E também tem a , a Jam e o João Paulo, JP, que, ainda que não tenham (mais) relação com o blog em particular, têm um envolvimento significante com tudo isso. Além de todos esse nomes, ainda tem a Cecília, a Ciça, que foi parte da equipe, porém precisou sair por motivos pessoais, e a Anne, que também sempre esteve dando a maior força pra gente, por tudo o que já rolou por aqui.

Talvez vocês não nos conheçam todos. Alguns nunca postaram, ainda que estejam sempre respondendo aos comentários, como o Anísio. Alguns postaram poucas vezes, alguns postam com bastante frequência. Independente de tudo isso, o que importa é que, se chegamos até aqui por causa de vocês, leitores, nós só pudermos chegar até vocês por conta de cada um desses nomes aí.

Tudo começou no Orkut. Crepúsculo começava a aparecer um pouco mais por aí e, como não agradava a gregos e troianos, também surgiram algumas comunidades como a “Eu ODEIO Twilight” e a “Eu ODEIO o Edward Cullen” (essa última de agosto de 2008). Foi entre agosto e janeiro de 2009 que fomos nos conhecendo, conforme o pessoal ia aparecendo nas comunidades. Ainda nem havia filme. É claro que ÓDIO não era o nome daquilo, mas todos nós aqui do blog nos conhecemos lá, naquelas comunidades – principalmente na “Eu ODEIO Edward Cullen”. O propósito delas era um só: rir e desdenhar da série, que fazia (e faz) um sucesso que não tem nada a ver com mérito, porque é ruim. De fato, a maioria das pessoas estava lá pelos vampiros – eles brilham, oras. Outros, pelos implícitos que os livros traziam. Outros, só porque é uma história bem ruim. Era um incômodo, por que não? Como pessoas entravam em comunidades como “Eu ODEIO Sandy & Junior”, “Eu odeio o Super-Homem do Faustão” ou “Eu odeio o cara das Casas Bahia”, nós, por acaso, estávamos todos em “Eu ODEIO Edward Cullen”. Você, fã desesperado que não entende como “perdemos tempo com isso”, provavelmente já esteve, em algum momento da sua existência virtual, em alguma comunidade “odeio qualquer coisa”.

Pois é, a nossa era “odeio Crepúsculo”, ainda que o sentimento fosse bem inferior ao odiar.

E mente quem diz que não faz bem pra alma criticar aquilo que não gosta. Vamos lá, quero ver quem é a primeira Madre Tereza que só tem amor no coração que vai dizer que nunca fala mal de nada (btw, só o fato de vir aqui dizer “perdem seu tempo com isso, hein!” já é uma forma de criticar o que desagrada, reflita).

Enfim.

Nos conhecemos no Orkut, descobrimos muitas pessoas legais ali, afinidades, conversas que saiam do escopo “Crepúsculo” e viravam assuntos diversos, e um dia o João Paulo, JP, nosso Leão maior, criou o MSN Group que nos uniu. Foi aí que ficamos realmente amigos. Virávamos madrugadas conversando, ríamos muito juntos, falávamos de Crepúsculo e de muitas outras coisas. Ficamos amigos, repetimos. E, quando a Mari e a Gi, um dia, sugeriram que montássemos um blog “anti-Crepúsculo”, a única coisa que pretendíamos era fazer um espaço para amigos comentarem o que achavam de tão ruim na saga.

É claro que nenhum de nós esperava que alguma coisa aqui fosse tomar as proporções que tomou. Nunca achamos que seríamos convidados pra participar de um programa na MTV ou que, mesmo antes dessa divulgação, nossos posts chegariam nos 50 comentários com tranquilidade. Começamos tudo, como já disse, como um espaço pra amigos discutirem o que não gostavam. Podia ser feito na comunidade? Podia. Mas a gente queria um espaço maior pra ampliar os pontos de vistas, compartilhar decentemente nossas opiniões sobre aquilo que lemos. E não imaginávamos que o alcance fosse ser muito maior do que as quase-20-pessoas envolvidas na brincadeira, no começo. Não era nossa meta, não era o que achávamos que ia acontecer e, vocês já perceberam, talvez, que algumas vezes sequer sabemos lidar com isso.

E por quê?

Porque ninguém aqui atribui ou assimilou na vida além-blog o que isso tudo virou.

Não é que não damos valor ao espaço que temos aqui, aos leitores e até a quem nos faz vudu só porque criticamos Crepúsculo. Não, a gente gosta muito, muito, muito desse feedback. É mágico pra alguns de nós pensar que, ainda que vocês nem saibam os nomes de todo mundo que, de alguma forma, colabora com isso aqui, a gente faz parte disso… e a gente ajudou a formar opiniões, a gente mudou cabeças, a gente é ame-ou-odeie. Só que… bom, tocaremos em um ponto sensível:

A gente não vive pra esse blog, como muitos acreditam. E como deu a entender Lobão no MTV Debate dessa terça-feira. A Lily explicou no programa: o termo hater surgiu também numa brincadeira, só uma apropriação do que rolava lá fora. Ninguém aqui odeia, efetivamente, Crepúsculo, a ponto de isso tornar um incômodo na vida, entende? Lemos ou assistimos aos filmes, não gostamos do que vimos e queremos compartilhar isso. Fim. Só que é algo que interfere muito pouco na nossa rotina, de um modo geral.

Talvez não pareça. Temos posts enormes e com análises extensas e relativamente complexas (principalmente se comparadas a sites anti-qualquer-coisa que se limitam a colocar montagens e notícias depreciativas sobre qualquer-coisa) que demandaram, obviamente, algum tempo pra serem concluídos. Mas é um tempo ínfimo, digamos assim. Cada post dessa leva, acreditem, eternidades pra ficar pronto. O que significa exatamente o contrário do que muitos afirmam: não perdemos tempo com o blog. Só ocupamos, com ele, o tempo que já temos livre.

Como disse a Nani, nós temos responsabilidades. Alguns de nós trabalhamos. Muitos fazem faculdade, alguns já em anos finais. Outros tantos, seja na escola, seja no cursinho, estão com os pés no vestibular. São coisas que ocupam o tempo, e muito. E são só as obrigações “comuns”. Temos, também, dentre as obrigações, os cursos de idiomas, os exercícios físicos, uma ou outra atividade mais peculiar… e, além disso, nos divertimos além da internet, seja do jeito que for: viajando, vendo filmes, lendo, jogando RPG ou vídeo game, indo a baladas ou shows, ouvindo música, o que seja.

Nós temos uma vida cheia (ou nem tanto) muito além do blog, de Crepúsculo ou do “ódio”. O blog é, então, um passa-tempo. E só. E, por isso, as análises demoram vidas pra ficar prontas. Respondemos comentários quando estamos on-line porque isso não leva muito tempo. É algo que dá pra ser feito entre uma espiada no Orkut e outra no twitter. Mas os posts demoram. Observem como existem lacunas de tempos enormes entre uma atualização e outra. Se um post sai logo depois de outro, é porque os dois estavam sendo escritos simultaneamente e aconteceu de ficarem prontos em épocas muito próximas, e só.

Sei que já foi repetitivo, mas vale reiterar: nós não vivemos pra falar mal de Crepúsculo. Desde o começo, a gente queria que o blog fosse exatamente o que é: uma antologia de argumentos, às vezes um pouco simplórios, talvez, visto que ninguém aqui pretende sobreviver de literatura ou cinema (exceto talvez a Venenosa), mas argumentos que justifiquem a nossa opinião. Nesse caso, “porque sim”. Cada um aqui tem seu motivo particular pra desgostar da série, e não é esse nosso foco, apesar de ocasionalmente surgir nos posts. Também não é a nossa intenção apenas denegrir todo o trabalho da Meyer porque isso é divertido. Não. Mesmo lá no começo, quando tudo tinha muito mais cara de brincadeira de amigos, nós sempre quisemos que o que escrevemos fosse levado pelo menos um pouco a sério.

Por isso não gastamos posts apenas com montagens, com notícias, com frases engraçadinhas.

E, afinal, continuamos com a “brincadeira” porque ela teve um feedback inesperado. A gente acreditava que tudo seria lido apenas por amigos. Descobrimos devagar que não, que mais pessoas concordavam com o nosso ponto de vista. E, depois, que algumas pessoas poderiam não concordar, mas acabaram, com a ajuda de nossos posts, entendendo que não estavam diante do próximo clássico da literatura mundial. Pronto, foi o suficiente pra gente manter o blog vivo por esse ano e meio inteiro: o retorno inesperado, irreal até certo ponto.

Além disso, percebemos que o blog, de alguma forma, era um exercício pra nossa escrita e pro nosso senso crítico. A escrita, por razões óbvias. Senso crítico também: é muito fácil extrair “coisas” de uma obra vaga como Crepúsculo. Poucos de nós cursaram ou cursam uma faculdade de Letras, poucos têm respaldo teórico necessário pra análises profundas de materiais literários, e o blog trouxe, pra esses poucos e pros outros tantos que estão em outras áreas, a chance de entender melhor o processo de leitura num todo, além de “imaginar coisas”. E é começando do fácil que se cria as oportunidades pra partir pro “difícil”, né?

Só que, mesmo com tudo isso, também como a Nani disse em seu post, nunca ganhamos nada além de críticas, elogios e trollagem lover. Por mais divertida e até enriquecedora que tenha sido a experiência (porque aprendemos muito por aqui, trocando informações entre nós e com leitores), nem por um segundo a vida parou pra que a gente viesse aqui “falar mal de Crepúsculo”. E, por isso, é infundado falar em “perda de tempo”.

Quanto ao ódio, por fim, queremos deixar claro que o sentimento, evidente, não é esse. Não é o inverso da tietagem louca de quem ama, com as mesmas proporções. É só desagrado. Sim, desagrado, nada mais do que isso.

Então, antes de clicar em “comentar” pra dizer que não entendem como “perdemos tempo com algo que odiamos”, vale refletir: são quase 20 pares de mãos que fazem esse blog acontecer. São quase 20 pessoas e atualizações que nem sempre são frequentes. E são quase 20 pessoas que, acima de qualquer coisa, se divertem com isso tudo quando a vida dá um tempo. Também são quase 20 pessoas que respeitam o espaço de quem adora tudo e, por isso, criaram seu próprio espaço pra discutir sem medo de ofender.

É claro que é um direito de cada um achar horrores do blog, da Equipe, do que seja. Ainda assim, o que a gente espera, acima de qualquer coisa, é respeito até de quem acha que tudo é “perda de tempo”. Se é algo que nos diverte (e diverte a outros) e não faz um mal real pra ninguém, não tem nenhum problema ser “perda tempo”, também. Se a gente para e pensa, toda forma de diversão é, de alguma forma, perda de tempo.

Pense nisso.

E, pra fechar, segue uma lista de alguns posts “importantes”, inclusive sobre assuntos que foram levantados no MTV Debate, mas que nem teve como ser discutido:

Vampiros: onde a Meyer errou

O lado mais obscuro de Crepúsculo

Coisas que afetam³

Amor obsessivo = Twilight

Profissão: ator piranha

Lindemberg e Edward Cullen

Queimando os sutiãs…

Verossimilhança e Twilight

Meyer não é a dona da verdade

Como escrever um livro

Queimando os sutiãs – parte II

(Mais) verdades sobre Crepúsculo

O que Meyer não sabe sobre Crepúsculo

Romance: o que nós já sabíamos

Romantismo: o que nós já sabíamos – parte II

Equipe Twilight Haters BR

Na verdade não há…

http://twilighthatersbrasil.files.wordpress.com/2010/07/preconceito.jpg?w=298&h=209

ÓDIO

s. m. Aversão inveterada e absoluta; raiva; rancor; antipatia.

Faço parte da Equipe Haters de Twilight, mas assumo que não apareço muito por aqui. Não aparecer não é sinônimo de ignorar, quero deixar claro para algumas pessoas que se mostram incapacitadas de compreensão indireta. Mas, estou em período de vestibular e preciso me dedicar mais a um ponto da minha vida do que naquilo que considero prazer e diversão.

Primeiramente, quero pedir desculpas à equipe por estar colocando esta postagem sem ter notificado ninguém, mas depois ver tanto absurdo, simplesmente não consegui ignorar o que está sendo dito por aí.

Segundo, não estou aqui para dar lição de moral em ninguém. Acredito que todos que estejam lendo isto sabem muito bem argumentar como pessoas maduras e coerentes quando querem expor suas idéias. Okay, estou expondo a minha. Portanto, todo o meu texto é baseado em pensamentos e opiniões particulares.

A internet – blog, twitter, caixinha de comentários, etc…-  realmente pegaram fogo antes, durantes e principalmente após o MTV Debates que ocorreu ontem, sendo mediocremente mediado pelo Lobão.

Mantenho firmemente a idéia de que, para ser o mediador de um debate: Primeiro: Você deixa os convidados falarem. Segundo: A opinião do mediado poderia ser considerada se o mesmo ENTENDESSE do assunto. Terceiro: Tendo em consideração que seria um programa onde muitas pessoas estariam assistindo, seria uma questão de respeito pelas mesmas – e pelos convidados – permitir que suas opiniões fossem expostas sem interrupções, principalmente sendo o tópico Twilight tão comentado na atualidade. Em resumo, o que aconteceu ontem na MTV não foi o debate. Não ouve vencedores, perdedores ou qualquer classificação mesquinha que estejam dando. Num debate as pessoas conversam e discutem seus pontos de vista. Corrijam-me se eu estiver errada, por favor: Vencedor num debate é aquele em que o lado faz o outro concorda consigo? Então, em minha concepção, não seria um debate, e sim para ver quem é o lado mais frágil e manipulável.

Muito bem. Dado essa introdução, vamos ao que realmente me fez tomar essa atitude.

Inicialmente, o Twilight Haters surgiu de uma brincadeira – onde a Lily comentou rapidamente ontem no Debate MTV, mas que infelizmente não finalizou por causa de interrupções esdrúxulas -, onde mais tarde tomou forma, conteúdo e análises trabalhosas a respeito dos livros de Stephenie Meyer. Usar o argumento de que a equipe está “perdendo o seu tempo” é inválido para não dizer completamente absurda e infantil. Seria SIM uma completa perda de tempo se o blog não mostrasse um trabalho legítimo de cuidado e responsabilidade ao escrever e mostrar com fatos, argumentos e dados uma análise completa sobre a saga Twilight.

Do mesmo modo em que o site Foforks, Twilight Brasil e outros mais possuem o direito de expor seu amor, adoração, carinho ou qualquer tipo de sentimento afetivo pela estória de Edward & Bella, NÓS possuímos os mesmos direitos democráticos de expor nosso desgosto. E repito,  mostramos e explicamos nosso desgosto por meio de argumentos, e não por simples comentários vagos.

Para tudo se tem um lado a favor e um lado contra. Isso se revela há milhares de anos, e tenho certeza que todos aqui são contra e a favor de algum assunto. Às vezes você pode se sentir estranho ou rejeitado por talvez, for o único a não gostar/ou gostar de algo que vai contra a opinião da maioria. Mas a desavença está aí.

E com a desavença, claro, vem à falta de maturidade e – muitas vezes – a falta de educação de algumas pessoas que simplesmente NÃO SABEM conversar. Com licença colegas, mas, gritar, fazer escândalo, xingar, mandar todos para a porra do inferno e simplesmente desaparecer, falar que somos um bando de desocupados e assim por diante, apenas mostra o quanto você é infelizes tanto mentalmente quanto verbalmente. E outra, prova que não sabe RESPEITAR a opinião que difere da sua. Isso é um caso antisocial grave.

Twilight pode estar na moda, mas a educação jamais saiu.

Antes de criticar nosso trabalho – que não é remunerado, dou ênfase nesse detalhe, o que mostra claramente que fazemos tudo isso com carinho e dedicação – ofereço a você hater, lover, indeciso ou indiferente, o pequeno conselho de que LEIA o nosso blog. INFORME-SE de nossas opiniões. SAIBA exatamente o que é debatido aqui e COMO é feito, antes de sair correndo para a nossa caixa de comentários. Não estou reprimindo seu direito de nos criticar, o blog é público e está na internet onde milhões de pessoas têm acesso, estou tentando esclarecer de que, para se criticar algo você precisa estar muito bem informado para ter argumentos. Ou você é o típico brasileiro que vai à urna eleitoral e vota no candidato que tem o rostinho mais bonito? Sem ao menos se preocupar em estudar QUEM ele é, O QUE ele fez e o PLANEJA fazer?

Não tenho absolutamente NADA contra as pessoas que gostam da saga Twilight, na verdade, a pessoa que mais amo gostou dos livros, gostou dos personagens e como milhares de fãs, se encantou com o Edward Cullen. E não é por discordar totalmente dos argumentos dela que irei mandar a minha mãe se foder.

Mas é claro que não estou apenas criticando a atitude inapropriada e infame de algumas pessoas que aparecem por aqui dizendo que somos um bando de idiotas revoltados que criaram esse blog para esbanjar o ódio que temos no coração; Acredito fervorosamente que todas as donas de sites/blog ou o que quer que seja que coloque a Saga Twilight em um templo de adoração também sofram o preconceito.

E é EXATAMENTE esse o meu PONTO. O PREOCONCEITO.

A Equipe Hater é composta – em sua maioria – por universitário, assim como a equipe de sites lovers. Os Haters possuem família, trabalham/alguns ainda não, estudam, possuem vida social, amigos, comemoram aniversários, amam, odeiam, comem, passam mal, bebem, lêem muito… Assim como qualquer outro ser humano. Assim como qualquer lover. Não é porque somos haters que somos diferentes. Que somos desocupados, ou como muitas vezes  li aqui no blog, idiotas.

Se há pessoas que desejam “abrir os nossos olhos”, acredito ainda mais que essas pessoas devam então “abrir os próprios olhos” para as diferenças, sejam sociais, econômicas, de cor, religião, sexualidade, enfim… Se o mundo fosse homogêneo, seria uma grande merda azul.

Estamos aqui como seres que pensam, falam, possuem personalidade, e como tal, devemos respeitar e aceitar as demais. Não estamos sozinhos no mundo. Estamos em uma comunidade que luta diariamente em buscar de mais conhecimento, informações, que tenta encontrar mais de si mesmo e tenta entender os motivos que o levam a amar e a odiar alguma coisa. E não é por descordamos de alguém que devemos repeli-la, excluí-la completamente de nosso circulo social. Seria uma postura ignorante de alguém dizer “Detesto Twilight, é uma porcaria” sem ao menos saber o nome da autora.

Eu li todos os livros, assisti aos filmes, assim como a Lily e grande parte da equipe. Então, queridos colegas, as pessoas que se mostram aqui neste blog, não são ignorantes no assunto que abordam. A Lily não deu uma de louca e foi para a MTV Debate sem argumentos concisos a respeito de sua opinião sobre a Saga de Stephenie Meyer ser machista. O problema é que ela não teve o direito de se explicar.

Talvez algumas pessoas fossem concordar com elas – não me refiro apenas aos haters, mas aos lovers também -, e outras iriam discordar. Mas essas desinências não são MOTIVOS e muito menos RAZÕES para que o indivíduo venha com pedras nas mãos.

Considero a saga Twilight uma porcaria? Sim. Escrita pobre e repetitiva? Sim. Que a única coisa profunda que os personagens possuem é o vácuo no lugar do cérebro? SIM.

Agora grande parte do mundo está contra mim. E daí? Vou ter que sentir medo de sair de casa, achando que vou ser linchada na rua? Desculpe, não tenho síndrome do pânico. Vou julgar alguém que NÃO conheço  apenas porque ela gosta de ouvir Nirvana sendo que prefiro Oasis?

Vocês já pararam para pensar o que é o ódio? O que é o certo e o errado? Já parou um pequeno momento para olhar para o próprio umbigo e tentar descobrir os motivos reais que o levam atacar alguém que você não tem a mínima afinidade, mas se vê no direito de julgá-lo apenas por ele não concordar com suas concepções?

Sinceramente? Do que adianta falar que o Mundo está nas mãos dos nossos filhos, sendo que não deixamos para o Mundo filhos melhores?

Sim, é uma frase boba e clichê, mas a considero muito sensata a respeito do que está acontecendo a um bom tempo entre Haters e Lovers da Saga Twilight.

Você gosta da saga? Muito bem, leia, re-leia, assista aos filmes, compre os DVD’s. Seja feliz! Mas, principalmente, ACEITE e RESPEITE que alguém  não concorda com a sua opinião e que considera SIM o perfeito mundinho romântico criado pela Meyer,  patético.

Nathalia.(Nani)

Twilight Haters Brasil no MTV Debate.

Olha onde chegamos. Alguns dias atrás a equipe do MTV Debate entrou em contato com a gente interessada em convidar um representante deste blog para um programa.

Apesar da nossa agenda cheia com a imprensa -not aceitamos o convite. O debate vai ser “A Saga Crepúsculo merece a fama que tem?” e tem como objetivo discutir os pontos positivos(cof, cof, COF, COF) e negativos da saga. Quem vai nos representar é a Lily(a que fez o post de Digimon. Estamos muito bem representados, não?). A Lily vai estar ao lado do @felipeneto e do @forlani, do outro lado vai estar Maria Alice(representante do Twilight Brasil) e o @mausaldanha.

O programa vai ser ao vivo na MTV, próxima terça, dia 13, às 22:30.

Não perdão! É a gente na TV, hein.

Vampires Suck – Filme sátira de Twilight

Oi pessoas!Curtindo a onda de posts no blog?Julho é salva-vidas, huahuahuahua!

A nossa queridésima hater Tamara acabou de me mostrar um trailer DIGNÍSSIMO de um filme-sátira de, CLARO, Crepúsculo!

O filme, chamado Vampires Suck (um título de duplo sentido, diga-se de passagem XD! (Pra quem não sabe: Suck pode significar tanto “fede/é uma droga/termos assim” quanto…”chupar/sugar” no sentido pejorativo da coisa.), é no estilo Todo Mundo em Pânico, com piadas escrachadas, e cenas de comédia bem absurdas, claro. E vai “recontar” a história do primeiro filme da saga, juntando outros filmes da moda e pessoas famosas, mas sempre como foco principal o nosso casal fa-vo-ri-to (aahaamm…),Edinho e Cisne!Com presença de Jacozinho Shark Boy, Alice (literalmente XD!), e…os outros.

(Péssima com resumos)

O trailer ainda está em inglês, sem legendas, mas não é difícil de entender ^^!!!

EDIT 10/07: A Jéss nos passou o link do trailer legendado ^^!Obrigada, Jéss!

Cara… Eu gostei!Mas sou suspeita para falar porque, dependendo do filme, acho esse estilo muito engraçado! Não é porque é com Twi não… Isso é só um detalhe a mais XD!

Poucas pessoas se manifestaram, muitas acharam engraçado e acharam que Crepúsculo merece. Um ou outro – que chuto serem fãs – acharam que “mimimi só querem lucrar em cima do Crepúsculo e blá,blá,blá”, mas não podemos esquecer que é uma SÁTIRA, e sátira é assim mesmo. Não é pra ofender, nem agradar, é só pra ser engraçado (embora algumas piadas sejam de mal gosto =P!), ou seja, espero que as fãs não surtem alucinadamente ao ver esse filme.

O filme tem data prevista para estrear dia 01/10, nos EUA. Vamos esperar para ver quando sai no Brasil!

Vocês vão ver?

Agradecimentos à Tamara mais uma vez!Valeu, Tama <3!

Beijos da Gi.

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