Depois de tempos sem aparecer por aqui, decidi fazer uma postagem leve a respeito não do que é melhor que Twilight, mas a respeito de QUEM é melhor que Edinho e Bella – tanto o casal quanto cada protagonista em si.
Não entendeu? Achou confuso? Vou explicar.
Observando a personalidade de Edward – e a falta de personalidade em Bella – e, relembrando todos os meus personagens favoritos, decidi estabelecer uma amostra sobre o que eu considero bons personagens – e com boas histórias de romance, que não necessariamente são a trama de todo o livro como a falta de enredo que o livro do vampiro-lamparina mostrou e.
Aqui falarei sobre quatro dos meus “casais 20” e o desenvolvimento individual e em conjunto dos mesmos.
1. Alec Buchanan/ Regan Madison
(A Próxima Vítima - Julie Garwood)
Um dos melhores romances da Julie, em minha opinião – achei que a história começou a ficar bem repetitiva em suas histórias contemporâneas após Vítima. Mas, em termos de história e romance, acho que Alec e Regan ficam na terceira ou quarta posição entre os melhores casais criados pela Julie – e, diferentemente da Meyer, queridos, ela tem uma COLEÇÃO de casais para se analisar, obrigada por perguntar.
Regan Madison é membro de uma proeminente família de Chicago, uma das donas da rede dos hotéis Hamilton, dirigida por ela e seus dois irmãos, Spencer e Aiden. O prólogo do livro começa mostrando uma garotinha que oscila entre a sensibilidade – que às vezes beira ao tom mimado de uma criança criada a “leite ninho”, como diria minha mãe – e coragem. Coragem no sentido de que Regan defende as pessoas que gosta ainda que esteja numa situação completamente desfavorável a ela. É interessante observar que isso não muda mesmo depois que ela se torna adulta e tudo o mais – quando criança, defendeu sua amiga Cordie de uma “malvada” do jardim de infância; quando adulta, praticamente salvou a vida de Alec quando o alvo era ela própria.
Ao longo da história, vamos descobrindo mais coisas a respeito da herdeira: além de rica (algo que, sinceramente, ela sequer dá importância) e com um rosto de modelo de revista (uma bela morena de cabelos cacheados e olhos azuis, a partir da descrição do livro), ela é uma mulher que gosta do trabalho filantrópico (área que atua na rede de hotéis onde é herdeira), que tem alguns traumas (como detestar casais “desprezíveis”- homens velhos com garotas novas loucas pelo golpe do baú – porque seu padrasto foi um desses caras), chorona (do tipo que chora até em comercial para cachorro, praticamente – e não, não estou exagerando. Ela chora, e MUITO), entre outras coisas.
Além disso, a partir de atitudes (e observações de Alec), nota-se que a personagem é bastante insegura, e seus medos são superados conforme a trama vai se desenvolvendo, com a ajuda de Alec e das situações que passa – e isso se chama desenvolvimento da personagem, fangirls. Isso costuma acontecer em narrativas normais, sabe. Ela tem medo de machucar as pessoas com as suas palavras, e também tem medo que as pessoas que gosta (como seus irmãos, por exemplo) se afastem dela por causa de atitudes que talvez eles recriminem. Graças a isso, ela se mostra uma pessoa retraída… Quero dizer, ela é retraída no sentido de não dizer o que pensa num primeiro momento – mas isso não significa que ela seja muito boa em esconder suas emoções e sentimentos. Na verdade, ela é aquele tipo de pessoa que vai guardando todas as raivas.
Vamos a um exemplo: quando Aiden rebocou a lata velha o carro de Regan sem seu consentimento, achando que tudo iria se resolver se ele simplesmente lhe desse uma BMW:
“Mais uma vez, Henry estava excitadíssimo:
- Ele comprou um carro para você.
Alec percebeu que a pálpebra esquerda de Regan tremeu um pouco. Era evidente que ela estava fazendo um esforço descomunal para manter o controle.
- Seu irmão comprou um carro novo para você – comentou Alec, animado – Você não acha que foi extremamente gentil da parte dele? – acrescentou a pergunta, só para ver a reação dela.
- É uma Beemer. – anunciou Henry. Ele olhava para o emblema do chaveiro.
Como Regan não demonstrou nenhuma reação imediata, Henry pensou que ela não tivesse entendido – Você sabe do que eu estou falando, não é? Beemer é uma BMW.
Como ela não sentia a confiança necessária para falar, simplesmente concordou com a cabeça. Não conseguia encontrar as palavras e estava tão furiosa com o irmão que sentia vontade de gritar. A audácia dele ultrapassava os limites. Por que diabo ele se dava ao trabalho de cuidar da vida dela?
- Regan, está tudo bem? Você está comum brilho estranho no olhar. – disse Henry.
- Acho que ela está se recuperando da surpresa. – disse Alec, tentando ser diplomático. Na verdade, parecia que ela estava com vontade de matar alguém.”
(A Próxima Vítima, pág. 185 – Julie Garwood)
Alec Buchanan é o contrário de Regan. Um dos oito filhos (sim, OITO) do Juiz Buchanan (eles não tinham tevê, haha – piada inútil do dia, eu sei), o terceiro filho do clã é, assim como grande parte de sua família (e que família *suspira* – e eles nem precisam ser ANÊMICOS para serem bons!), um dos servidores à manutenção da lei. Detetive na área de Narcóticos da Polícia de Chicago, ele é confiante, controlado, arrogante, desleixado (“o homem parecia que tinha feito uma limpeza na garagem”), sarcástico e possui um determinado humor negro que faz qualquer um gargalhar – a menos que você viva numa bolha cor-de-rosa e não goste de rir da desgraça alheia… Hum:
“- Você é muito mais competitivo do que eu; pensa que é liberal, mas na verdade é extremamente conservador. Tem valores sólidos e inegociáveis (…)” ( A Próxima Vítima, pág. 216)
Alec também é competitivo (vide trecho acima) – mas não tanto quanto Michael, um de seus irmãos mais novos – e, de fato, ele é conservador. Mas não no sentido de “mimimi, sexo só depois do casamento” ou qualquer determinação conservadora de Edward Cullen, beirando a século dezesseis. Em alguns momentos ele é machista – aquela historia do macho salvar a fêmea – mas em outros ele possui total respeito pelas capacidades de Regan. É legal ver isso. – Tanto que, ao final, ELE é quem é salvo por Regan, e reconhece isso.
A respeito do casal, Julie conseguiu desenvolvê-los de uma maneira bonita e, ao mesmo tempo, realista. Ainda que Regan fosse extremamente bonita (e cheia da grana), Alec se apaixonou por ela pela pessoa que era – e o mesmo acontece com Regan, porque, sério, choviam rapazinhos interessados na horta dela, se é que me entendem. O que ela viu no cara maloqueiro que trabalhava na Narcóticos para preferi-lo ao invés dos milionários que convivia?
Igualdade. Ele não era melhor que ela, e ela não era melhor que ele.
O legal é que nenhum dos dois esconde as falhas do outro. Enquanto Bella e Edward parecem apenas ver as qualidades ( as perfeitas qualidades) um do outro, Alec e Regan percebem os defeitos um do outro e, ao invés de afastá-los ou fazê-los perderem o interesse, se interessam pelas falhas – onde chegam até gostar de algumas.
Não só isso, mas o desenvolvimento de um romance entre os dois faz com que os personagens evoluam como pessoas, o que mostra uma relação sadia – ainda que eles estivessem em pleno caso de assassinatos, mas enfim.
Regan aprendeu a se impor mais graças a Alec – ainda que essa influência tenha sido indireta – e também Alec, que antes era um cara bem fechado.
“Naquela noite, eles foram para a suíte e pediram pizza, pipoca, refrigerante, cerveja e assistiram a um filme. A história de amor era um clássico, que fez com que ela chorasse enquanto Alec ria o tempo inteiro. Ela o acusou de não ter sentimentos, o que ele recebeu como um elogio.
Na noite seguinte, ele escolheu o filme e eles assistiram a outro clássico antigo. Entretanto, não era um filme romântico, mas sim um daqueles repletos de efeitos especiais, com muitos extraterrestres. Ele adorou.
Ambos apoiaram os pés numa banqueta. Ela estava descalça e ele, de meias, das quais uma tinha um enorme furo.
Os créditos eram exibidos na tela quando ele perguntou: – Quer assistir de novo?
Ela não achou que ele estivesse brincando. – Não, obrigada. Esse filme é muito violento para mim.
- Você achou violento? – ele parecia surpreso.
- Alec, eu contei 32 pessoas mortas.
- Isso não é tão mal assim. – ele disse na maior cara dura.
- Trinta e dois corpos na primeira meia hora. Depois disso, desisti de contar.”
(A Próxima Vítima, pág.214 e 215)
Chega um momento na história em que os dois se separam – Alec foi convidado para trabalhar no FBI, e isso implicava sair de Chicago e ir até Boston. Ao contrário de Edward e Bella, onde toda hora parece que eles queriam brincar de “Quem vai se suicidar primeiro”, Regan resolveu usar esse acontecimento como forma de amadurecimento – onde foi, aliás, o impulso que lhe fez se impuser mais em frente aos seus irmãos.
Um fim de namoro ou flerte não é o fim do mundo – ou da sua vida – mas uma oportunidade para se crescer.
“Ao amanhecer de um novo dia, Regan tinha uma nova atitude.
Enquanto tomava banho e se vestia, fez um discurso para si mesma: era uma garota crescida e poderia muito bem cuidar do próprio coração partido. Tinha certeza de que sim. Seria capaz de sobreviver quando Alec fosse embora e jurou para si mesma que ele jamais saberia dos sentimentos que ela nutria por ele.”
Regan sofreu? E como. Mas isso não foi motivo para que ela dissesse “Minha vida acabou, matar-me-ei porque eu apenas respiro e vivo por Edward Cullen Alec.
Agora vou achar muito engraçado se vier alguma fangirl dizendo: Mas Bella tinha apenas DEZESSETE ANOS! POR ISSO QUE ELA QUIS SE MATAR!
A-hem. Não são vocês que afirmam tão veementemente sobre o amor deles ser REALMENTE verdadeiro? Algo maduro? É bem estranho que o “amor verdadeiro” seja tão egoísta ao ponto de não suportar uma despedida.
Aliás, essa intensidade toda é bem típica dos hormônios em fúria. Então se é tudo baseado em hormônios, julgando as ações de Bella, como se pode afirmar que o que Bella nutria por Edward era o amor verdadeiro? Como eu li uma vez em uma análise sobre um casal (O Manifesto NaruSaku, em inglês: [colocar link aqui]), amor verdadeiro não é aquele em que você tem duas ou três noites fantásticas de sexo, porque não é isso que faz um casamento durar cinqüenta anos, mas sim um romance onde você aprende a viver com a pessoa no dia-a-dia, na ROTINA. Pode parecer simples, cansativo até aos olhos das mais românticas, mais eis aí um romance que dura. A rotina necessariamente não precisa ser entediante, mas tem que ser comum a você a personalidade de uma pessoa. É você saber viver cada dia ao lado de alguém, respeitando seu espaço e suas características que a fazem realmente amar alguém.
Nem tudo é simplesmente hormônios e mármore esculpido, Bella Swan.
“Além da compaixão que vira nos olhos dele, havia muitas coisas que amava nele. Ele era um homem de honra e integridade – Regan descobrira isso na primeira hora que passara com ele. Um homem totalmente dedicado ao seu trabalho; terrivelmente leal para com aqueles que amavam, além de ter um maravilhoso senso de humor.
Ele tinha defeitos, mas no momento, ela não era capaz de se lembrar de nenhum.”
(A Próxima Vítima, pág. 285)
Diferença entre o casal: Lendo Twilight, Bella mais parecia interessada em ressaltar todos os pontos físicos maravilhosamente esculpidos e brilhantes de Edward Cullen (er…NOT!). Não lembro de quantas vezes ela realmente parou no livro para falar sobre as qualidades não-físicas de Edward. Quero dizer, ele era um cara que ela amava ou era o frango de domingo para o almoço?
Sabe aquela expressão de televisão de cachorros? Era o que Edward me lembrava. ¬¬
De novo: romance não aquele em que você NUNCA vai brigar com a pessoa – por Deus, onde isso é um desenvolvimento? – e vai viver feliz todos os dias da sua vida. Isso seria, no mínimo, falta de personalidade. Bella sempre dava a maldita sensação de que, pelo fato de Edward ser tão “perfeito”, seu amor e casamento com ele também seria tão “perfeito” ao ponto de que os dois jamais teriam uma discussão, jamais discordariam e viveriam uma eternidade de felicidade e gozo – e eu nem quis ser irônica sobre “gozos” nessa parte.
Ah, pelo amor de Deus. Sou mais aprender a viver numa rotina com alguém, ter discussões gigantescas e aprender a amar cada defeito de um cara do que esse tédio todo de “perfect family”, beijos.
2. Theodore Buchanan/ Michelle Renard
(O Testamento – Julie Garwood)
Em minha opinião, o casal mais bem desenvolvido que a Julie já escreveu é esse. Entre todos os da série contemporânea, foi o casal mais bem estruturado – e, sinceramente, ocupa o primeiro lugar como meu casal favorito. Enquanto eu amo o Alec quanto personagem, eu acho a química Theo/Mike perfeita e eles nem precisam brilhar.
Michelle Renard, a Mike, é uma médica que acabou de finalizar toda a sua especialização. Enquanto é mostrada logo no livro por possuir um talento nato na arte de se segurar um bisturi, ela também é mostrada como uma mulher simples – preferiu voltar para sua minúscula cidade, Bowen, e ajudar os habitantes do local a trabalhar em Boston e ganhar rios e rios de dinheiro. Além disso, ela é uma mulher determinada e, ao mesmo tempo, possui aquela inocência que chega até ser charmosa na personagem – perceba que Julie não usou “burrice” para descrever “desastrada”, como algumas pessoas. Diferentemente de Regan, ela veio de uma família em humilde, e tem uma história bem realista. Sua mãe entrou em coma ao dar a luz à Mike, e seu pai, Big Daddy Jake continua com sua vida, cuidando da filha e de mais dois meninos (Remy e John Paul Renard).
Aliás, até a forma como ela conhece Theo dá uma sensação de familiaridade e realidade impressionante.
Enquanto Mike quer ser “médica de um buraco” (palavras de um dos cirurgiões que a ensinou), Theo Buchanan é um importante promotor do Ministério da Justiça americano. O filho mais velho do Juiz Buchanan é um homem bastante engraçado (é sério, ele consegue ser engraçado sem querer ser engraçado. A ironia dele e seus comentários inconformados são ÓTIMOS), além de ser considerado um homem extremamente atraente (diferentemente de Vítima, em que as únicas opiniões sobre a beleza de Alec partiram de Regan – e, às vezes, de uma de suas amigas), Theo é considerado garanhão por quase todo o centro cirúrgico ¬¬.
Mike e Theo se conhecem por acaso em um evento em comum – ele foi dar um discurso, ela ganhou um convite por um dos médicos. Por fim, Mike acabou salvando a vida de um Theo com apendicite, após ele ter vomitado em seu vestido e socado seu olho sem querer (e eu registro aqui minha frustração por ele ter vomitado e rasgado um ARMANI, obrigada).
Após a operação, é interessante perceber o crescente interesse de Theo por Michelle. Começa como quase todo o relacionamento – baseado na beleza do outro, seja ela exterior ou uma pequena mostra da interior. A questão é, logo após ser liberado do hospital e colocar algumas coisas em ordem, Theo “se dá” umas férias e parte até a cidade de Michelle, Bowen, sob a mentira (que disse a si mesmo, detalhe) de que iria “pescar” com o pai dela, que conheceu no hospital – e que foi convidado pelo mesmo para ir até Bowen pescar.
A partir daí, começa o desenvolvimento do relacionamento entre os dois – e as divirtidas confusões, como um time de futebol americano confundir Theo com o novo treinador e com quase a cidade inteira tentando “ajuntar-los” daquela maneira gostosa interiorana. Ao mesmo tempo que ocorre o relacionamento, acontece a trama, em que um grupo pretende matar Michelle, mas meu ponto hoje é falar sobre os personagens e o casal.
“Visões de uma linha de pesca nas águas tranqüilas do bayou da Louisiana surgiram em sua mente. Antes de partir de Nova Orleans, havia prometido voltar para dar a palestra que havia perdido e achava que aquele seria o melhor momento. Depois da palestra, poderia ir conferir o local de pesca do qual tanto se gabara Jake Renard. Sim, um pouco de tempo para refrescar as idéias era só o que lhe faltava. Havia outro motivo pelo qual estava ansioso para voltar à Louisiana… e não tinha nada a ver com pesca”.
(…)
Lembrava-se como, deitado em sua cama hospitalar, não conseguia tirar os olhos dela. Qualquer homem normal teria reagido da mesma maneira que ele. Estava doente na época, mas não inconsciente.”
(O Testamento, pág. 84 – Julie Garwood)
“O que estava fazendo ali, afinal? Por que viera tão longe só para pescar? Porque era ali que ela estava, admitiu e, de repente, começou a se achar bobo. Pensou em fazer uma manobra e voltar a Nova Orleans. Sim, era isso que deveria fazer. Se fosse depressa, ainda poderia pegar um avião e voltar a Boston pela meia-noite.
(…)
Devia estar louco, sim era isso que era. Sabia exatamente o que deveria fazer, mas continuava indo em frente.”
(O Testamento, pág. 94)
Mas, não podemos dizer que Michelle também não havia se interessado por ele graças à aparência.
“Michelle fechou a pasta, recolocou a tampa na caneta e a colocou no bolso. Dedicou a ele toda sua atenção. As enfermeiras do centro cirúrgico tinham toda a razão. Theo Buchanan era lindo… E sensual como o diabo. (…) Seu cabelo estava desalinhado e precisava fazer a barba, mas ainda assim era sensual. “
(O Testamento, pag. 44)
Bem, geralmente essa é a ordem natural das coisas – nossos rostos são os nossos “Cartões de visita”. Contudo, diferentemente de Twilight, o romance não se desenvolveu APENAS em apetite sexual e tensão sexual – e não venham me dizer que houve desenvolvimento, porque eu não vi nenhum ali. Só vi uma garota se dizendo apaixonada DO NADA e dizendo a todo o momento em palavras bonitinhas “Edward, eu te amo. Edward, me coma”. O relacionamento dos dois resumia-se simplesmente a “não fale, procrie”. Fala sério, cadê a cumplicidade do casal? A forma em que os dois viviam juntos era bastante tediosa, sério.
Theo e Michelle começaram a conhecer um ao outro, verdadeiramente, suas atitudes, seus gestos e tudo o mais, e isso foi o que começou a uni-los. Theo acaba se hospedando na casa de Mike durante suas “férias” e, ali, um começa a conhecer melhor o outro. Na verdade, essa é meio que uma fórmula da Julie, pelo menos nos livros contemporâneos: os casais passam determinado período morando sobre o mesmo teto. Como diria minha mãe, você só passa a realmente conhecer uma pessoa quando convive as 24 horas com ela, e a autora faz bom aproveito disso.
E, bem, os secundários e terciários de Garwood conseguem ser muito mais bem trabalhados que os secundários de Meyer ¬¬ - obviamente. Em determinado momento, estão todos determinados em unir Theo e Michelle – menos John Paul, o irmão de Mike – mas você percebe cada personalidade dos personagens – eles não vivem pelo casal principal, quando se relacionam com o mesmo é apenas uma faceta de uma situação qualquer. De resto, eles são pessoas com seus próprios dramas e vida. Isso é ótimo.
“Quatro garotas esbeltas e louras adiantaram-se, falando em uníssono. Todas usavam as mesmas roupas, shorts brancos e camisetas vermelhas. Uma delas levava um grande pompom vermelho e branco e liderava as demais na torcida.
- Eu quero um B! – ela comandou.
Foi recompensada com um grito B! E assim foi com U, depois K, depois A, depois um N, mais um A e um N.
- E o que se escreve assim?
- Bukanan! – a garotada explodiu.
- Essa é boa! – Theo comentou.
Michelle quase rachou de tanto rir. Theo levantou as mãos, tentando controlar a massa.
- Eu não sou seu treinador! – ele gritou – Escutem aqui, é tudo um mal entendido. Esse garoto…
Não houve jeito. Ninguém prestava atenção aos seus protestos. Os adolescentes animados e felizes correram para ele, gritando todos ao mesmo tempo.
Como aquela massa havia se descontrolado? Sentiu que Jake pôs a mão em seu ombro e voltou-se para ele. O velho abriu um enorme sorriso de satisfação.
- Bem vindo a Bowen, filho.”
(O Testamento, pág. 104)
(…)
“- Eu quero um B!
- Sabe do que esses meninos estão precisando? – ele perguntou
- Hum, deixe ver se adivinho… Um treinador? – Michelle arriscou.
- Não, estão precisando urgentemente de alguém que os ensine a soletrar direito o meu nome.
(…)
- Foi um prazer ajudar. – ele respondeu secamente – Quero que me responda uma coisa: por que ninguém nessa cidade parece querer me ouvir?
- Estão ocupados demais tentando impressioná-lo. Vai deixar Andy Ferrand ser atacante este ano?
- Muito engraçadinha.”
(O Testamento, pág. 106)
“- Mas é claro que Elvis pode estar por aí. É melhor levar a vassoura junto, para garantir.
- Elvis? – ele perguntou, parando de chofre.
- Nossa celebridade local. Da ultima vez que foi visto, juraram que ele tinha quase cinco metros de comprimento.
- E vocês batizaram um crocodilo de Elvis? Qual é o problema de vocês aqui?
- Não damos nomes a todos – ela se defendeu – Só aos maiores.
- Você está brincando com essa história de Elvis, certo?
- Mais ou menos.
- Pois saiba que MAIS OU MENOS é crueldade com um homem que tem verdadeira fobia por crocodilos, Michelle”.
(O Testamento, pág. 144)
Comentário pessoal: Theo teria que amar muito Michelle para suportar tudo o que suportou em Bowen AHHAHA.
Mas aos que procuram por aquela parte linda e romântica do romance, aqui está:
“- Michelle?
- Sim?
-Descobri seu ponto forte.
- E o que é? – ela perguntou com a voz pastosa de sono.
Ele baixou o lençol um pouco e colocou a mão sobre seu peito. Se não estivesse tão cansada, perguntaria a ele porque certos homens possuíam tanta obsessão por seios, mas então percebeu onde exatamente a mão dele fazia pressão, e seus olhos encheram-se de lágrimas.
Como não amar aquele homem?
Ele havia colocado a mão sobre seu coração.”
(O Testamento, pág. 252)
E há vários trechos e passagens assim, mas esse é simplesmente o meu favorito. :D
3. John Paul Renard/ Avery Elizabeth Delaney
(Prazer de Matar – Julie Garwood)
Sim, mais um casal da Julie – e percebam que o cara se chama JP! YEAH! A historia dessa vez se passa com o irmão de Michelle, John Paul Renard, um agente aposentado da CIA que detesta agora essa e quaisquer outras formas de governos judiciais, e Avery Delaney, uma analista do FBI. A história se passa um ano após toda a confusão d’O Testamento, em que John Paul procura por Monk, o assassino de aluguel que quase matou sua irmã. Enquanto isso, Monk se envolve com Jilly, a mãe psicopata de Avery, que a abandonou logo na primeira semana de vida, e que agora quer matar a ela e a sua irmã – tia de Avery -, Carrie. Diferentemente dos outros romances contemporâneos de Julie, eles não passam a historia morando sob o mesmo teto – na verdade, eles mal possuem tempo para parar, salvo uns dois dias de acordo com a cronologia. É o tempo inteiro numa correria que só, até conseguirem se livrar dos joguinhos de Jilly e conseguir um desfecho surpreendente para a trama.
A opinião de cada um sobre o outro começa de uma maneira bastante peculiar: ambos acham que o outro é um desmiolado focado apenas em seu corpo, algo que tanto ela quanto ele detestam.
“Ele estava estirado sobre uma espreguiçadeira meio escondida por uns ramos de palmeira, dentro do bar do saguão, quando Avery Delaney entrou, pavoneando-se. Foi preciso apenas um olhar atento e ele soube tudo sobre ela. Ela era uma típica loura californiana. Não, talvez não fosse típica. Ela não era uma pessoa comum, ele tinha de dar a mão à palmatória. Mas era, definitivamente, obcecada pelo corpo. De outra maneira, por que passaria uma semana num SPA?”
(Prazer de Matar, pág. 121)
As suposições de John Paul só pioram conforme ele vê Avery perdida no saguão. Mal sabe ele que ela é completamente o oposto do que ele imagina…
“Seus cabelos loiros, longos e lisos, brilhavam na luz. Apesar de parecerem naturais, ele duvidou que fossem. Talvez fossem conseqüência de um pote de água oxigenada. Seus olhos estavam escondidos sob os óculos escuros e ele imaginou que talvez usasse lentes de contato coloridas. A camiseta fazia um bom trabalho para esconder seu umbigo, mas ele não duvidava que tivesse um piercing. Afinal, não era essa a moda hoje em dia?
(…)
A mulher deveria ter o cérebro de uma mosca, mas quando se trata de sexo, inteligência não é exatamente uma coisa a ser considerada.
A Senhorita Cabeça Oca parecia incapaz até mesmo de encontrar a recepção.”
As suposições de Avery a respeito de John Paul também não são as melhores. Assim que o viu:
“Ela nunca tinha visto alguém assim, a não ser, talvez, no cinema. Ele se tornava maior à medida em que se aproximava. Alto e musculoso, cabelos escuros e pele bronzeada. Ela imaginou que ele passasse boa parte do tempo ao ar livre ou em alguma academia, trabalhando seus músculos. Ele tinha uma beleza tempestuosa, mas parecia totalmente centrado no aspecto físico.
Ela preferia os homens cerebrais.”
(Prazer de Matar, pág. 126)
Obviamente, eles vão se conhecendo conforme começam a lutar pela sobrevivência no jogo de “caça ao tesouro” criado por Jilly. Inicialmente, John Paul mais a ajuda por motivos próprios – afinal, o homem que ele queria matar estava acompanhado da psicopata. Mas, conforme o tempo passa, ambos começam a se preocupar realmente com a sobrevivência um do outro.
John Paul definitivamente não é um cara perfeito. De todos os homens criados pela Julie, ele é o mais estúpido, grosseiro, arrogante, convencido, malcriado, anti-social, mal humorado, pessimista, e a lista só aumenta. Mas, de novo, tem toda aquela historia de desenvolvimento do personagem – ele é uma pessoa bem mais controlada ao final do livro. De novo, tudo questão de desenvolvimento propiciado por um relacionamento.
Onde tem isso em Twilight? Bella até o fim foi descrita como desastrada – e, quando mudou, foi porque mudou de “espécie”, não por causa do relacionamento – sem contar que ser desastrada nem é um “problema” a ser tratado – e Edward era perfeito demais para possuir qualquer falha. Qual o proveito além da necrofilia praticada entre os dois, se é que isso pode ser chamado de proveito, que nojo que um tirou do outro?
Avery também tem uma personalidade bastante difícil. Traumatizada pelos eventos que passou durante a infância – um dos quais a tornou estéril para a vida toda – ela fica constantemente na defensiva, apesar de ser extremamente durona, inteligente, orgulhosa e não permitir que ninguém lhe diga o que não fazer.
E, acima de tudo, Avery não é, definitivamente, o estereotipo de mulherzinha que precisa de proteção. E John Paul obviamente gosta disso:
“Seus dedos estavam presos ao redor da cintura dela. Ela pegou um de seus dedos mindinhos e virou-o para trás, com força. No mesmo instante, abaixou o queixo e arremessou a parte de trás da cabeça na cara dele. Ela ouviu um estalo de cartilagem quando ele começou a gritar de dor e a soltou.
- Puxa! – balbuciou ela – Merda, isso doeu! – ela se afastou de Kenny e esfregou a mão na parte de trás da cabeça, enquanto ia ao encontro de John Paul – Não é tão simples quanto parece ser no cinema. Lição aprendida.
Ela notou a expressão incrédula no rosto de John Paul.
- O que foi? – perguntou
Ele desabrochou um sorriso largo e fácil.
- Nada mal.”
(Prazer de Matar, pág.192)
E, diferentemente de Edward Cullen, John Paul não tem jeito nenhum com palavras. Na verdade, ele é bem lacônico, e suas tentativas de elogiar Avery são hilárias. Mas, sejamos francas, acho muito mais interessante um homem todo macho que se porte como o mesmo do que um que é pintado como “_o_ MACHO MAIS PERGIOSO DE TODOS” que no fim fala toda uma gayzice simplesmente para soar “cavalheiro” ou “romântico”.
Nada de “leões e cordeiros” aqui, queridos, mas sim:
“Ele olhou para ela e perguntou:
- Então, a cor é verdadeira?
- Como assim?
- A cor do seu cabelo. É verdadeira?
Ela piscou.
- Por acaso você está me perguntando se eu uso peruca?
- Não, estou perguntando sobre a cor do seu cabelo. Você é loira de verdade ou loira tingida?
- Que interesse você pode ter na cor do meu cabelo?
- Na verdade, interesse nenhum – respondeu ele, ficando irritado – Mas, se a mulher se parecia com você, acho que preciso saber se -.
- Não, não tinjo o cabelo.
Ele não escondeu sua surpresa.
- É mesmo? E os seus olhos?
- O que tem meus olhos?
- Lentes de contato coloridas?
Ela balançou a cabeça.
- Não.
- De verdade?
- Você está, deliberadamente, tentando bancar o idiota?
- Escute, estou apenas tentando juntas as peças, está bem? Você deve saber…
- Saber o que? – pressionou ela, quando ele não continuou.
Ele franziu o cenho e olhou para ela.
- Diabos, mulher! Você é linda!”
(Prazer de Matar, pág 212)
Ou…
“Agora, ela estava quase em cima dele, tentando roubar algum calor gerado por aquele corpo. O homem parecia um cobertor elétrico.
- Sai daí. – depois de dar a ordem, ela fez uma careta. Sua expressão parecia a de um sargento.
Ele fez força para não rir.
- Se eu puser meus braços em volta de você, doçura, é bastante provável que eu deixe de ser um cavalheiro. “
(Prazer de Matar, pág. 222)
Apesar do John Paul ser um ogro – falo sério – você acaba se apaixonando por ele, e acaba torcendo pelos dois. Fica evidente que ele primordialmente gosta da Avery não pela beleza, mas pela inteligência e força dela. A Avery se apaixona por ele porque, além da segurança que ele transmite, ela se sente confortável o suficiente para fazer o que quer, e não o que as pessoas esperam que ela faça – e ao longo da trama você aprende o quanto isso é importante para ela.
“Mas John Paul era diferente dos homens que conhecera. Ele não dava a mínima bola para status. Ele não era manipulador e não tinha interesses ocultos. Ele era o que mostrava ser. Talvez fosse essa a razão da atração que sentia por ele. E do conforto que sentia ao seu lado.”
(Prazer de Matar, pág. 324)
“Será que gostava mesmo de Avery? Sim, teve de admitir que gostava. A mulher era super inteligente. Como poderia não gostar dela?
(…)
Maldição, ela estava o enlouquecendo. Ela pareci um carrapato, não parava de coçar e irritar.
(…)
Ela o fizera rir. Fizera com que quisesse coisas que pensara nunca poder ter.
(…)
- Se você quiser vir comigo, doçura, é melhor que saiba que quem dá as ordens aqui sou eu, e você vai fazer exatamente o que eu lhe disser que faça. Você pode dar conta disto?
Ela não hesitou em responder:
- Quando eu pulei da escada de incêndio, aterrissei no teto do seu carro, que ficou amassado. Você dá conta dessa parte?”
(Prazer de Matar, pág. 301)
4. Gabriel Dean/ Jane Rizzoli
(O Dominador, O Pecador, Dublê de Corpo, Desaparecidas – Tess Gerritsen)
“Dean entrou na sala e seu olhar imediatamente fixou-se em Rizzoli. Estava de terno e gravata, a aparência impecável contrastando com a blusa amarrotada e o cabelo despenteado dela. Quando finalmente ergueu a cabeça para ele, foi quase em desafio.
Aqui estou. Aceite ou caia fora.”
(O Pecador, pág. 234)
Praticamente meu casal favorito. O romance entre os dois começa de modo bem peculiar: não começa. Inicialmente, Jane tem tanto desprezo por Gabriel que o próprio leitor acaba se frustrando com as aparições dele, imaginando, assim como ela, que ele quer roubar seu “brilho” na investigação – ou, pelo menos, qualquer workaholic (Tammie ergue as mãos) pensaria assim.
A primeira aparição de Gabriel Dean se dá em O Dominador, segundo na série “Isles-Rizzoli”. Jane estava no meio de um caso com um serial killer quando Dean aparece, pavoneando-se e brandindo seu distintivo do FBI, praticamente se colocando como o novo chefe da operação – gerando, obviamente, conflitos com a responsável pela operação, Jane.
“Ele olhou para Maura.
- Sabe como nos conhecemos, não sabe?
- Reversa Stony Brook, não foi?
- Aquela cena do crime. Demorou trinta segundos para termos a nossa primeira discussão. Uns cinco minutos antes ela me mandara sair de sua área”
(Desaparecidas, pág. 129)
Jane e Gabriel são os extremos opostos; ele é controlado, o suficiente para que muitas pessoas o considerem “sem coração” – ele parece não se comover com a situação da vítima, ele parece movimentar tudo ao seu redor como um jogo de xadrez. Jane, por sua vez, é tempestuosa, teimosa, o tipo de pessoa que, se você empurra, ela empurra de volta ainda perguntando “Qual é seu problema, seu babaca?”. Às vezes, a mulher é tão forte, mas tão forte, que você acaba se irritando, pois, ao mesmo tempo em que ela quer gritar para o mundo que “Jane Rizzoli não precisa de ninguém”, internamente ela está apenas aterrorizada e humilhada com a perspectiva que possam taxá-la de incapaz pelo simples fato de ser mulher – não que eu a culpe. Ela realmente está no meio dos garotos, afinal, sendo detetive do Departamento de Homicídios de Boston. Gabriel, aliás, nota isso mais de uma vez, esse desejo incontrolável dela de sempre querer sobressair-se e jamais demonstrar fraqueza – e também o fato dela sempre achar que está sendo analisada. Como, por exemplo:
“Finalmente, Rizzoli se recompôs e deixou o reservado. Sua cabeça parecia menos entontecida, o estômago controlado. O fantasma da Rizzoli de sempre voltou ao corpo. Na pia, lavou a boca com água gelada para afastar o amargor e, depois, jogou água no rosto. Acorda, garota. Não seja fraca. Se deixar que vejam uma brecha em sua armadura, vão atirar justo ali. Sempre fazem isso.”
(O Pecador, pág. 48)
“- Já requereu proteção?
A pergunta chocou Rizzoli.
- Proteção?
- Um carro patrulha, pelo menos. Para vigiar seu apartamento.
- Sou policial.
Dean inclinou a cabeça, como se esperando pelo resto da resposta.
- Se eu fosse homem você teria feito essa pergunta?
- Você não é homem.
- Isso significa automaticamente que eu preciso de proteção?
- Por que está tão ofendida?
-Por que o fato de eu ser mulher me incapacita de defender minha própria casa?
Dean suspirou.
- Sempre precisa superar os homens, detetive?
- Dei muito duro para ser tratada como todo mundo – endureceu-se ela – Não vou pedir favores especiais porque sou mulher.”
(O Dominador, pág. 243)
O interessante do casal é justamente isso, ao contrário dos anteriores, que tinham seus defeitos, mas não eram completamente expostos – mesmo que isso seja um avanço, se considerar Twilight e seus músculos de mármore, puf – nos livros de Tess, os defeitos misturam-se muitas vezes com as qualidades. Por ora, defeito ou qualidade sobressaem-se ao anterior, mas cada um tem seu momento de pico. É a série mais “humana” que eu leio, atualmente. Você se identifica tanto com um personagem, sente-se socado pela escrita crua de Tess – ela não enrola vinte linhas para falar de um sentimento. Retrata-o às vezes tão frio, tão “na cara” que isso acaba tocando mais que qualquer descrição de vinte páginas – e às vezes surpreende-se pelo rumo de seus pensamentos – uma hora você sente a ira tempestuosa de Jane Rizzoli, sente-se como ela. Outros momentos sente-se envergonhado que sua curiosidade por passado e cultura possa se assemelhar tanto a um serial killer, por mais que grande parte do momento você o julgue doente.
E, claro, o thriller da historia é capaz de fazer qualquer um enlouquecer. Especialmente Desaparecidas, que começa “rock ‘n roll” desde o segundo capitulo do livro.
Mas, deixemos a trama de lado e vamos falar de Gabriel e Jane. Vamos para o primeiro encontro romântico e dazzling (not) do casal.
“Quando voltou do bosque para o campo de golfe, Rizzoli estava suada, suja e exausta de bater em mosquitos. Ela parou para tirar folhas dos cabelos e carrapichos das calças. Empertigando-se, subitamente deu-se conta da presença de um homem de cabelos ruivos, vestido de terno e gravata, ao lado do furgão do instituto médico legal, com um celular pressionado contra a orelha.
Rizzoli dirigiu-se ao patrulheiro Doud, que ainda estava administrando o perímetro.
- Quem é o engravatado? – perguntou a detetive.
Doud olhou na direção do homem.
- Ele? Disse que é do FBI. “
(O Dominador, pág. 88)
Rizzoli, como a investigadora-chefe da operação, obviamente foi conversar com ele. E apesar de Gabriel Dean ser um homem capaz de virar a cabeça de qualquer mulher em um aposento (ao contrário de Jane e homens :B), tudo o que passava pela cabeça da mulher era: “esse #$%##%^ quer roubar minha investigação!”
“Como investigadora-chefe, não queria ver anuviadas as linhas da autoridade, e este homem, com sua pose militar e terno de executivo, já se comportava como se fosse o comandante da cena criminal.
(…)
- Imagino que vocês recebam muitos comunicados rotineiros – começou ela.
- Sim, recebemos.
- Cada homicídio, correto?
- Somos notificados.
- Há alguma coisa neste que o torna especial?
Ele simplesmente fitou-a com sua expressão impenetrável.
- Com certeza as vítimas achariam isso. “
Jane detestou-o inicialmente, como dito no primeiro trecho, o de Desaparecidas. Contudo, Gabriel Dean pareceu se encantar de imediato com ela, e justamente pela força tempestuosa que Jane Rizzoli era – porque, se fosse pela aparência… Jane não é descrita como uma mulher bonita, pelo contrário. O maior elogio que li, em todos os livros da série, sobre aparência, foi que ela possuía olhos muito vivos e bonitos. De resto, ela é o tipo de garota que cresceu caçoada pelos irmãos, com o apelido de “Cara de Sapo”.
Nota-se isso [o encanto de Gabriel por Jane] por pequenos trechos, não mais que uma linha, como a continuação dessa briga por território:
“A raiva de Rizzoli estava subindo como um submarino retornando subitamente à tona.
- Este corpo foi encontrado há apenas algumas horas. – continuou Rizzoli – Esses comunicados agora são instantâneos?
Houve um leve tremor de sorriso nos lábios do agente quando ele disse:
- Não estamos completamente fora de sincronia, detetive.”
(O Dominador, pág. 89)
Apesar de completo desgosto que Jane sente por Gabriel – especialmente quando recebe uma pseudo-bronca de seu superior, graças ao fato de Gabriel ter conversado com o mesmo dizendo que Jane não estava apta para seguir a investigação por causa de problemas passados -, conforme a investigação vai avançando, o relacionamento entre os dois começa a desenvolver e, ao mesmo tempo, Jane começa a analisá-lo de uma maneira diferente. Mais de uma vez.
“Dean caminhou lentamente até ela, até estar perto o suficiente para ser intimidador. Talvez fosse sua intenção. Eles agora estavam cara a cara, e embora Rizzoli jamais fosse recuar, não teve como evitar que seu rosto enrubescesse. Não foi apenas a superioridade física de Dean que a fez sentir-se ameaçada; foi sua compreensão repentina de que ele era um homem desejável – uma reação profundamente perversa, à luz de sua raiva. Rizzoli tentou sufocar a atração, mas ela já havia fincado suas garras e não estava disposta a largá-la”.
(O Dominador, pág. 140)
“Dean falou muito pouco durante o percurso, mas o silêncio entre os dois parecia apenas intensificar a percepção que Rizzoli tinha de seu cheiro, de sua confiança. Ela mal olhava para ele por medo de que Dean visse, em seus olhos, a agitação que ele inspirava.”
(O Dominador, pág. 251)
O romance começa a se desenvolver, até que, em uma viagem para Washington, onde grande parte das duvidas de Jane sobre a investigação é esclarecida, Gabriel e ela finalmente se rendem e acabam dormindo juntos. Horas mais tarde, após prazeroso esquecimento de todos os problemas que enfrentavam, eles já estavam brigando mais uma vez, por falta de interpretação um sobre o outro.
O Dominador termina com um Gabriel e uma Jane decididos a passar algumas horas juntos – Deus sabe como, hehe. Em O Cirurgião, a conseqüência daqueles encontros é mostrada: Jane está grávida de Gabriel Dean, o cara que mora em Washington, tão viciado em trabalho quanto ela.
Mais uma vez, em meio a uma investigação – o estranho assassinato de uma freira de 19 anos, que vivia em um convento – tem-se passagens do dilema de Jane: ter ou não o bebê, contar a Gabriel ou não. Nisso, por mais que ela demore praticamente O LIVRO INTEIRO para admitir, percebe que esse não é o único medo dela: ela tem medo de contar sobre o bebê, porque se apaixonou por Gabriel e tem medo que ele a rejeite.
A ela, e ao bebê.
“- E ainda assim não vou dizer. Tenho que escolher o que é melhor para mim, não para os outros.
- O que tem medo que ele diga?
- Que ele diga para eu estragar minha vida. Que me diga para ter o bebê.
- É disso mesmo que tem medo? Ou será que tem medo que ele rejeite o bebê? Que ele rejeite você primeiro?
Rizzoli olhou para Maura.
- Sabe de uma coisa, doutora?
- O quê?
- Às vezes, você não faz a menor idéia do que está falando.
E às vezes, pensou Maura ao observar Rizzoli saindo do escritório, eu acerto na mosca”.
(O Pecador, pág. 170)
Mas não é o que acontece. Gabriel, ao descobrir sobre o bebê, aparece à entrada do apartamento dela, usando todo seu jeito Gabriel Dean de ser para dizer que ele está ali para assumir a responsabilidade, e é o que ele quer. Não apenas isso, mas pede Jane em casamento.
Não pelo bebê, mas porque ele a quer.
“Ele estava perfeitamente ereto, ainda fazendo pose de homem de cinza. Mas, ao ouvi-lo falar, Rizzoli sentiu um toque de irritação que a surpreendeu:
- E onde eu entro nisso? – perguntou ele – Fez todos esses planos e não me mencionou uma vez. Não que eu esteja surpreso.
Ela balançou a cabeça.
- Por que está tão furioso?
- É a mesma coisa sempre, Jane. Você não consegue evitar. Rizzoli toma conta da própria vida. É toda segurança por trás de sua armadura. Quem precisa de um homem? Droga, não você.
- E o que eu devo dizer? Por favor, ó, por favor me salve? Não consigo carregar este bebê sem um homem?
- Não, você provavelmente é capaz de se virar sozinha. Arranjaria um jeito, mesmo que isso a matasse.
- Então o que quer que eu diga?
- Você tem uma escolha.
- E eu já escolhi. Eu disse para você, vou ficar com o bebê. – começou a caminhar em direção à escada, lutando contra a neve.
Ele a agarrou pelo braço.
- Não estou falando do bebê, estou falando de nós. – e acrescentou, baixinho – Escolha-me, Jane.”
(O Pecador, pág. 360)
Eu sei que, falando assim, até que parece que o romance dos dois foi algo corrido. Não foi, mas seria simplesmente impossível dar todos os detalhes sobre os dois sem ultrapassar a marca das 60 páginas, e eu seria obrigada a fazer um “Manifesto Dean-Rizzoli”, iguais aos Manifestos de quem shipa casais. Mas, só para dar uma noção, há um desenvolvimento de quatro livros sobre o relacionamento deles – isso até onde eu li, e até onde foi traduzido. Ainda há mais dois livros já escritos da série, que ainda não foram publicados aqui no Brasil.
Em Desaparecidas, ultimo livro da série que eu tenho – por enquanto – vemos um Dean-Rizzoli casado. E um Gabriel praticamente surtando em emoções, perdendo toda sua compostura de homem frio e “Homem do Terno Cinza”, controlado e com suas respostas comedidas.
Motivo? Jane, pronta para dar a luz, foi feita de refém.
E Gabriel Dean desmoronou. Perdeu a calma, socou um cameraman, chamou a repórter de poota após a mesma ter divulgado o nome de sua esposa aos jornais – e isso poderia acarretar a morte de Jane -, gritou com colegas policiais, praticamente arrancou os cabelos, além de tentar negociar com os que mantinham Jane refém, completamente desarmado e sem plano.
“Você ainda está viva. Tem de estar viva. Eu saberia, eu sentiria caso não estivesse.
Não sentiria?
Gabriel refestelou-se no sofá do escritório de Maura, a cabeça apoiada nas mãos, tentando pensar no que mais poderia fazer, mas o medo continuava obscurecendo sua lógica. Como fuzileiro naval, ele nunca perdera a frieza em ação. Agora não conseguia nem se concentrar, não conseguia afastar a imagem que o assombrava desde a necropsia, a de um corpo diferente deitado sobre a mesa.
Alguma vez eu lhe disse o quanto a amo?”
(Desaparecidas, pág. 127)
A coisa que eu acho mais legal do livro é a rotina dos dois. O mundo não virou uma bolha feliz e PERFEITA, em que os dois jamais brigam, em que subitamente a “Cara de Sapo” se transformou numa princesa e que o COSMO agora parece conspirar para toda a beleza existente no mundo, permanecesse em um único casal. Pelo contrário, Gabriel e Jane continuam suas discussões, agora muito mais profundas, porque eles realmente conhecem um ao outro – são um homem e uma mulher, ambos compartilhando uma rotina, conhecendo os defeitos e qualidades, traquejos, do outro.
E isso diminui o amor? Pelo contrário, apenas o aumenta. Você se apaixona pela dedicação de Gabriel pela pequena família que agora possui, ou pela confiança cega que Jane possui por ele. Apesar dos defeitos, eles SÃO uma família e realmente se amam, e sabem que não existe essa de “isso ninguém pode tirar de mim”, porque combatem monstros que tiram isso das pessoas todos os dias, o que faz com que eles queiram se dedicar ainda mais a ter seus pequenos momentos de felicidade e amor.
“Súbito, a mão se fechou ao redor da mão de Jane, um aperto quente e familiar. Não pode ser, pensou, quando a dor da contração diminuiu e sua visão clareou lentamente. Ela se concentrou no rosto que olhava para ela e ficou pasma.
-Não – murmurou. – Não, você não devia estar aqui.
Ele segurou-lhe o rosto e beijou-lhe a testa e os cabelos.
- Tudo vai ficar bem, querida. Tudo ficará bem.
- É a coisa mais idiota que você já fez.
Ele sorriu.
- Você sabia que eu não era muito inteligente ao se casar comigo.
- No que estava pensando?
- Em você. Apenas em você.”
(Desaparecidas, pág. 209/210)
Enfim, eu poderia listar “n” casais melhores que Edward/Bella – algo não muito difícil – mas o post chegaria a marca de quase trinta páginas, e sinto que nem um terço leria tudo. X) Aliás, estava tentada ainda a falar sobre casais de seriados, filmes e até mangá (como, por exemplo, Alex e Izzie [Grey’s Anatomy], Noah e Allie [The Notebook], Naruto e Sakura [Naruto, apesar de não ser confirmado :B], Harry e Gina [Harry Potter], e até mesmo Jacob Black e Bella [Twilight, pasmem ¬¬]), mas, de novo, o negócio ia ficar tão grande, mas TÃO grande, que provavelmente o mundo iria acabar e eu não teria terminado x) – provavelmente eu faça uma parte dois disso, aí quem sabe….
Então, deixo estes quatro casais da literatura contemporânea americana em suas mãos, dizendo: não são autores consagrados (Julie possui romances simples e Tess, apesar de ser “leitura obrigatória” na casa de STEPHEN KING, não é muito conhecida, pelo menos aqui no Brasil) e, ainda sim, escrevem way better than Meyer, com um romance muito melhor construído, com sentido muito melhor. E muito mais saudável. Não consegui explicar tudo bem explicadinho do jeito que queria, mas espero já ter dado um insight breve sobre construções agradáveis de romances e personagens.
E, para as fangirls obcecadas: Meyer como fenômeno literário, com melhor romance escrito? Com um homem “perfeito”? Com tudo “perfeito”?
…
DEFINITIVAMENTE, NÃO!
Tamara
(PS da Lily: E, continuando a lista, teremos QUEM é melhor que Edward Cullen/Robert Pattinson. Mulherada hater, prepare-se)